Começar tudo de novo é uma coisa, recomeçar é outra

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25 de abril de 2017


Estou recomeçando e recomeçar é chato. Quando você tem um relacionamento muito longo, você cansa só de pensar em começar a levantar as estruturas que estão desmoronadas. A primeira reação é querer não amar, para não doer de novo. Depois você já se acostumou a fazer toda a sua vida sem alguém. Se readaptou a solidão. Já consegue se bastar debaixo de um coberto somente com o travesseiro.

Mas faz parte os recomeços da vida e eis que, um dia, acordo e me deparo com alguém do lado da minha cama. Alguém que me faz bem, que me quer bem e que, junto comigo, tem vivido dias intensos e cheios de alegrias. Quanto clichê junto, meu Deus! Mas, recomeçar é rever e dizer todos esses clichês que a rotina e o costume nos fez perder em relações que o amor foi embora antes da gente.

Então, quando menos esperava, me vejo aqui, recomeçando. Levantando vigas e fazendo fundações que sustentem essa sensação por mais alguns dias até o próximo passo. No fundo, eu sei que esse recomeço é bom. Cheio de melindres bobos. Mas, é gostoso demais saber que, depois da tempestade de poeira que me cegou, estou vivendo. O coração acelerando de novo, o frio na barriga. O gosto bom de um sexo bem amado. Que maravilha.

Olha eu aqui recomeçando. Entrando nessa fria, de novo e novamente. Cheia de redundância nos ‘eu te amos’ ditos com um olhar, um toque e um beijo. Olha eu aqui de novo me sentindo e sentindo. Fazendo planos pro futuro com alguém que conheci outro dia, enquanto achava que só estava tentando sobreviver ao trauma de um término de um longo, duradouro e confortável relacionamento. Conforto é tudo que eu NÃO quero agora. Me confortar e me conformar. Nesse recomeço, tudo será diferente. Fiz uma promessa. Compromisso de coração pra alma. Esse amor será diferente de todos os outros.

Quero continuar acordado sorrindo ao lado dessa pessoa maravilhosa que o destino colocou no meio da minha estrada. Mas só vou continuar enquanto o meu sorriso for proporcional ao sorriso juntos, aos passos dados juntos, aos planos traçados juntos. Porque quando eu me deparar na solidão novamente, na pior solidão que é ser só ao lado de alguém, pulo fora. Vou embora e, juro, sem olhar para trás.

Recomeçar é isso. É saber-se reconhecer diante das experiências do que te fez recomeçar um dia. Recomeçar significa que algo tirou você do lugar pra te colocar em outro. Então, que esse outro lugar seja melhor. Que façamos o possível pra torná-lo melhor. Caso contrário, só estaremos começando tudo de novo.

E não é isso que aquele sorriso lindo que acorda ao meu lado toda manhã me diz sem dizer uma palavra. O nome daquele sorriso é RECOMEÇO.


EDGARD ABBEHUSEN.
Baiano cá do Recôncavo. Vizinho de Edson Gomes, Sine Calmon, fã de Dona Canô e dos filhos que ela deixou no mundo. Aspirante a jornalista e sonhador de um mundo melhor. Tenho axé correndo no sangue. Amor no coração. E entre acarajé e Sushi, eu fico com os dois.
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malditas interrogações

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23 de abril de 2017


Eu queria poder culpar os astros, mas não consigo acreditar que o signo – maldita geminiana! – seja culpado por todas essas interrogações constantes que pulsam, diariamente, na minha cabeça. Minha mente fervilha. São incontáveis porquês, o tempo todo. Ninguém precisa colocar a pulga atrás da orelha, porque ela já está ali – praticamente um bichinho de estimação.

Observo tudo, todo tempo. Percebo as pessoas, a forma como mudam o sorriso, a forma como escolhem uma música, a forma como escrevem um poema. Eu olho para o preto no branco e fico caçando as entrelinhas. Fico buscando entender porque aquela poesia, porque aquela música naquele momento, porque do sorriso. O nó se forma na cabeça e vai crescendo. E eu vou alimentando, porque é o que sei fazer de melhor. Eu sou ótima em criar interrogações.

Dessa forma, gosto de gente transparente. De gente que não se esconde, que fala abertamente, sem cochichar pelos cantos. Gosto de gente que realmente demonstra aquilo que diz, sem deixar margem para interpretações erradas – porque eu sou cheia (cheinha mesmo!) delas.

Gosto de gente que cala tudo que grita com um abraço. Gente que olha nos olhos e entende o turbilhão que passa neles. Sinto apego nessas pessoas que falam com atitudes e fazem coreografia com aquilo que dizem. Um ‘dois-pra-lá-dois-pra-cá’ entre a boca e o corpo, sabe? Elas sentem o que dizem e demonstram isso. Pago pau, mesmo! Puxo para perto. Admiro. Guardo no cantinho bonito do coração.

Eu preciso dessas pessoas para conseguir respirar melhor. Não gosto das interrogações ferradas que alimento todos dias – sem querer. Não gosto dessas perguntas sem respostas e odeio esse caça palavras, de buscar entender o que está perdido nas entrelinhas, no suspiro, no tom de voz. Queria não complicar o simples.

E nessas interrogações intermináveis, eu vou vivendo a vida. Questionando o que deveria ou poderia ser (quem sabe?) Vou me apegando aos detalhes ínfimos, às pessoas intensas e aos sentimentos mais sincero que a humanidade poderia, um dia, experimentar. Vou vivendo, não como poderia ser, mas como estava planejado para acontecer.




MAFÊ PROBST
Engenheira, blogueira, escritora e romântica incorrigível. É geminiana, exagerada e curiosa. Sonha abraçar o mundo e se espalhar por aí. Nascida e crescida no litoral catarinense, não nega a paixão pela praia, pelo sol (e pelo frio) e frutos do mar.

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eu sei que você tá indo, mas...

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21 de abril de 2017

Tu é labirinto, rua sem saída. Me rendi a tua alma nua, vem cá
[Anavitória ft. Matheus e Kauan]



Hey! Eu sei que você tá indo, mas espera só um pouquinho mais. Juro que é rapidinho... Deixa eu te contar tudo o que eu sinto e da bagunça que tá aqui dentro, mas só faz sentido contigo junto dela. Talvez seja motivo suficiente pra não precisar ir... Talvez seja o motivo que tu precisas pra ficar.

Mas se, depois disso, você não quiser ficar, eu vou ter que entender. Se não for você, um dia vai ser outra. Deve ter por aí outras mil garotas de sorrisos lindos, sardas no rosto, personalidades fortes, almas intensas e olhares encantadores. O foda é que não é outra que eu quero e, nenhuma delas vai ser você. Eu vou ter que me acostumar com a ideia...

Espera aí, não vai assim. Não sem antes eu esgotar todas as possibilidades, sem tentar te convencer que foi você que eu escolhi, porque é contigo que eu quero dividir a cama no domingo preguiçoso, te contar dos meus dias, meus projetos.

Caramba, menina, não vai assim! Eu não vou conviver com a dúvida do 'e se eu tivesse falado? E se eu tivesse arriscado?'. Eu prefiro arriscar, tô colocando todas as minhas fichas na mesa, na gente. Se eu ganhar vai ser o maior e melhor prêmio da minha vida! Eu não sou dos mais religiosos, mas quando eu estou naquela resenha com Deus, é o teu nomezinho que não sai da minha cabeça e como diz aquela música, 'o meu coração estará com você, minhas orações irão lhe proteger'...

Eu te escolhi, dona encrenca, desde a nossa primeira conversa séria, desde a amizade e o primeiro "te amo", dito baixinho sem você escutar. Te escolhi pra continuar sendo a minha inspiração. Eu sei que pode ser qualquer outra, mas você não é qualquer uma. É você, maluca. É o teu cabelo que eu quero bagunçar, te provocar pelo bel prazer de provocar e te mimar de um jeito que você sabe que só eu sei.

Foi você que eu escolhi e é na gente que eu acredito, mas se tu não quiser acreditar ou não quiser abrir mão do medo de arriscar, tudo bem. A vida segue e a gente se encontra lá na frente. Essa parada de acreditar sozinho não é muito justa... Faz assim, a gente toma uma cerveja e ri de tudo isso. Se não for você, vai ser outra, por mais que eu queira você.

Eu sei que você tá indo, mas espera só mais um pouquinho. Juro que é rapidinho...

DIEGO HENRIQUE.
Prazer, Diego Henrique, 25 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.
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