Acho que estou amando outra vez

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19 de fevereiro de 2017

mafe

Ela me sorriu com graça, pegando-me desprevenida. Não sei se foi o riso que me assustou ou se o simples fato de que fazia muito tempo que eu não a notava. Tinha algo novo nela, sabe? A pele estava mais corada, os olhos mais vivos – e mais verdes. E o sorriso... Ah, o sorriso estava ali, até quando não estava. Dava para perceber nas rugas dos olhos o tanto que ela estava sorrindo por dentro. A boca fechada e a alma sorrindo. Já viu um sorriso palpável? Pois então, eu vi.

Fiquei abestalhada, lhe encarando. Ela rodopiou com graça de bailarina e fez uma careta engraçada. Quanto tempo faz que ela não mostrava a língua? Arrancou-me um riso. Ela continuou me olhando. Eu permaneci lhe encarando. A moça deixou o rosto cair para o lado, como se me analisasse de volta. Teria visto ela que eu estava lhe avaliando? Senti a testa enrugar, mas ela logo me sorriu, aliviando-me. Se ela tinha percebido, não tinha se importado.

Ficamos assim, uns bons minutos. Ela me mostrando seu melhor lado, seu melhor riso. Me contou da vida, dos amores, da felicidade que sentia pulsar. Falou dos planos e dos sonhos que não cansa de sonhar. Me mostrou sua fé inabalável e a esperança que carregava, todos os dias, para lá e para cá. Ela me contou que a fé lhe traz a certeza de seu sonho é palpável. Me falou da paciência, que cultiva todos os dias e da mudança, perceptível. Ela tinha se redescoberto e eu estava feliz por tê-la percebido...

Eu estava em frente ao espelho, lhe olhando. Meu reflexo me sorriu com graça, pegando-me desprevenida. Não sei se foi o riso que me assustou ou se o simples fato de que fazia muito tempo que eu não o notava. A moça do espelho estava irradiante, sonhadora e feliz. Pulsava amor. Tinha algo novo, sabe? Acho que estou me amando outra vez...

Ela é meu melhor amuleto

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17 de fevereiro de 2017

diego-henrique

Sabe aquele horário do domingo que você já está com uma depressão pós Fantástico, porque sabe que a segunda já está batendo na porta? Nós estávamos exatamente nesse o momento, falando de coisas aleatórias pra fingir que o domingo não ia acabar... Falamos sobre tatuagens, filhos, dietas malucas e mitologia grega. Ela me encanta com a capacidade de falar sobre tudo de uma forma natural. Quem fala sobre mitologia grega em plena madrugada?! Ela, que mostra que é muito mais que um rosto bonito e um corpo gostoso.

Confesso que esse lado dela me dá um puta tesão. A forma como ela articula as palavras, entende a proposta e se faz entendida. Ali na cama nós dividimos uma taça de vinho bem cheia enquanto seu sutiã meia-taça, acidentalmente, caía e deixava aquele par de seios (que eu tanto amo) de fora.

Decidimos abrir mão das poucas peças de roupa que nos sobravam e fazer com que aquela fosse mais uma madrugada inesquecível, como tantas outras já foram. A única coisa que ela não tirou foi o seu colar com um pingente de olho grego, porque ela dizia que ele lhe trazia proteção.

— Você já não deveria estar dormindo?
— Eu deveria tanta coisa, morena, que você nem faz ideia!
— Pra quem tem que acordar às seis da manhã, duas da madrugada já é bem tarde. Você dorme muito pouco!

Claro que ela, como uma boa enfermeira que é, não ia deixar a noite acabar sem me dar uma bronca.

— Você esqueceu da parte que eu me alimento mal, não faço atividades físicas e fumo.
— Desse jeito vai ser um outro deus grego que vem te visitar..
— Daqui a pouco eu me deixo levar por Morfeu. Agora tem uma outra deusa grega que está me encantando e daqui eu não quero sair tão cedo.

Ela era a própria Afrodite, fazendo com que o quarto ficasse tomado por amor e sexo. Seus encantos deixam de ser em palavras e se transformam em toques. Ela sabe caminhar nessa linha tênue entre um carinho e uma carícia... A sua rebeldia permanece a mesma. As unhas estão grandes e pintadas de vermelho, igual na primeira vez, e o restante da história eu vou deixar por conta da sua imaginação.

Existe uma palavra grega que resume tudo isso que nós vivemos. MERAKI, que significa fazer algo com alma, criatividade ou amor. Colocar parte de si em algo que está fazendo. Os deuses do Olimpo nos abençoaram naquela noite e eu pude entender o significado do olho grego.

Ela é o melhor amuleto que um cara como eu poderia ter.


DIEGO HENRIQUE.
Prazer, Diego Henrique, 25 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.
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Chuva de verão

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16 de fevereiro de 2017

mafe-probst

O dia amanheceu nublado, sabe? Estava vestido de preguiça, dando uma vontade de enrolar na cama. É quinta-feira, a rotina chama. Eu deixei a vontade perdida no meio dos lençóis e abracei a rotina, como todos os dias. Sorri imaginando que o dia seria fresco, mas tudo não passou de imaginação minha...

A tarde deu um solzinho maroto, aumentando o mormaço. Tinha gente na praia, tinha gente no parquinho, tinha gente trabalhando, gente de férias. E tinha calor. O suor escorreu nas minhas costas (que pararam de doer). A fruta desceu geladinha goela abaixo e tomei quase um litro e meio de água fria...

Calor e final da tarde. O céu parecia um filme desses de tornados americanos. Era uma onda preta, gigante, que começava a engolir a cidade. Faz meia hora que ameaçou chover, com o céu feio. O negrume cedeu espaço para um cinza que não assusta. Choveu, muito! Não tinha mais ninguém na praia, não tinha mais ninguém no parque.

No meio do cinza, volta o sol. Lá de cima do morro, já tem sol. Ainda chove, ainda troveja. Meia hora. E já tem sol. Acho que a chuva de verão vem para nos mostrar que nada é eterno, sabe como? Ela chega imponente, mostrando a que veio. Faz um barulho tremendo, destrói uma coisinha ou outra, espanta todo mundo e logo vai embora. A gente devia focar nisso, sabe? Quando vê aquele problema monstruoso, imaginar que é só uma chuva de verão.

Vai cair. Vai assustar. Vai fazer barulho. Você vai estremecer (eu sempre estremeço com os trovões, beijos mãe).  Mas vai passar.