o que passou não basta

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16 de junho de 2017


mas se eu pudesse voltar,
eu viraria naquela esquina mais uma vez


Depois que a poeira baixa e o coração se aquieta, o peito volta a se encher de sentimentos bons e a cabeça de memórias felizes. Eu percebi o momento de transição entre a incredulidade de tudo e a tranquilidade. Eu vi o sorriso que se expandiu nos meus olhos e refletiu nos lábios. Foi uma nostalgia bonita.

Era pra ser só um dia cinza

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14 de junho de 2017


Eu estava sentado num banco de praça. Quem, em pleno século vinte e um, senta em banco de praça? Eu estava ali, o celular guardado no bolso, os olhos observando o movimento e a cabeça com mil pensamentos. Era um daqueles dias que a ansiedade implora por uma pausa, sabe como? Sentei no banco que ficava embaixo de uma grande árvore. Eu podia florear dizendo que era um flamboyant, ou uma figueira, mas a verdade é que só sei que era uma árvore grande. Esses nomes bonitos, peguei no Google.

Paixão antiga

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Eu devia ter uns 4 anos quando me apaixonei. Devo ter lhe conhecido antes, mas daí já não lembro. Era meu aniversário, meus pais, primos e coleguinhas da escola estavam em volta da mesa cantando parabéns. Você também estava lá, brilhando! Eu me lembro que não conseguia tirar os olhos de você. Depois que todo mundo cantou os parabéns, foi você para todo lado.

quatro minutos e meio

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Estava chovendo do lado de fora e do lado de dentro do quarto. Esteban tocava estridente no notebook, fazendo chiar o som, que implorava que eu diminuísse o volume. Mas, como comecei contando, estava chovendo e eu precisava de algo que gritasse mais alto que o barulho das gotas que batiam — em mim e na janela. Cruzei os dedos torcendo para que, pelo menos, o som não estourasse, haja vista o caos que estava por todos os lados, quando a última bomba caiu no meu colo.