das cartas que eu não mando;

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25 de agosto de 2016

mafê-probst
Guardo pra te dar, as cartas que eu não mando.
Conto por contar e deixo em algum canto.
[Leoni]

Brincando no meu iTunes, ontem, sorri com certo desdém pela ironia das minhas playlists. Depois que a acidez deixou a língua, deixei de ser boba e resolvi te agradecer por ter repaginado meu gosto musical, por ter me apresentado Moska, Camelo, Antunes e Jeneci. Jamiroquai, Save Ferris, The Kooks, Kasabian... De um modo geral, com exceção de todo aquele sertanejo e um ou outro pagode e house music, minhas músicas vieram todas importadas do seu acervo de treze dias musicais. A-gra-de-ço. Sério, agradeço mesmo. Criei certa simpatia, sabe? Fui ao show do Pearl Jam, duas vezes, te contei? Isso é tão você. E é irônico, pois se eu estivesse contigo, você iria sem sequer me convidar. Mas me convidaram, rapaz. Fizeram questão de me ter por perto, pra curtir um show que, caramba, eu passei a gostar também.

Sem mais, eu só te agradeço. Imensamente, por ter me preparado um bom bocado pro mundo. Por ter me feito mais egoísta e, apesar de, altruísta. Por ter exigido demais de mim e me fazer acreditar na minha capacidade meio torta de ser capaz, por ter me tirado o medo de altura, por ter me feito enxergar que a gente é suficientemente capaz de ser sozinho e que é muito bom ter gente para somar, não dividir. Isso de se doar sozinho, cansa. De gostar sozinho, ceder sozinho, apaixonar sozinho, querer sozinho, fazer acontecer sozinho. Equilíbrio, meu caro, requer dois. E, por mais cega que eu tenha ficado, foi bom ser sozinha, pra ver que sou suficientemente forte, que posso carregar o meu mundo e o nosso mundo nas costas. Não nosso-nosso. Meu e seu, nada disso. Nosso, me refiro, quando há nós. Ser plural, se é que você me entende... Não entende, não é? Você sempre foi egoísta demais pra dividir o teu mundinho com qualquer nós. Entre a gente, tinha nó. Um montão de nós, desfazendo laço atrás de laço até que não restou nadinha de nada. Nada de afeto, de consideração, de saudade. Nada. Só um tanto de gratidão – da minha parte – por ter me feito enxergar não tarde demais o quanto esses nós eram errados, impróprios e sem futuro.

Você me fez melhor, moço. Acrescentou uma boa dose de cultura, de ironia e de paciência. Me fez odiar o futebol, apaixonar por Quintana, cervejas e atum. Ando meio indecisa se gosto de árvores em miniaturas e chego à conclusão que não há nada pra concluir. Gosto de documentários, rezo todas as noites e assisto filmes franceses. Tem que ter cor! Depois de um ano muito azul, eu quero mais é vermelho, verde, preto e branco. A-ma-re-lo. Meu céu particular agora é sempre pôr ou nascer de sol. Suave, leve. E recheadinho de carinho, sabe como? Não, é claro que você não sabe... Você não tem noção e, caramba!, como é bom! Eu perdi o medo do toque, sou mais eu mesma do que nunca fui, perdi um tanto da minha claustrofobia, desde que o que me “sufoca” seja um pescoço e um abraço. Dá pra respirar tranqüilo no pescoço, rapaz. Dá pra dormir em paz. Fácil. Facílimo.

Então é isso.

Obrigada por ter sido tão insensível na tua sensibilidade. Por ter me cobrado demais, por ter querido que eu mudasse muito. Eu mudei foi suficiente pra saber que era desnecessário e comecei a fazer por quem faz por mim também, sabe? Você foi ótimo, apesar de. Talvez se não tivesse rolado beijo na boca, sentimento da minha parte e arrogância da tua, a gente teria se dado bem como amigo. Trocado correspondências, filmes, poesias, figurinhas. Quem sabe... algum dia.

É.
Obrigada.


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Eu tô querendo tudo, mas às vezes não quero nada.

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23 de agosto de 2016

pluralíssimo com a Joyce Xavier

Talvez eu seja mesmo uma louca insatisfeita, mas a verdade é que eu não sei deixar passar essas vontades que vem do nada. Já passei da fase de me importar com a opinião alheia, então eu faço o que quero. Eu ando querendo tudo – e um pouco mais. O mundo está se abrindo para mim e meu instinto se vê na necessidade de me jogar e viver todas as oportunidades que aparecem no meu caminho. Eu canto, danço e sorrio e vou querendo tudo para mim. Já vivi, ganhei e perdi demais. E continuo querendo somar histórias, beijos, cantadas, músicas e abraços. Eu quero apertar o laço com gente que me sorri no caminho.

Muitos me enxergam como uma insana egoísta, mas, na realidade, cansei de me doar muito para o nada e esquecer que o tudo também pertence a mim. As meias palavras engasgadas, eu assopro para o vento e deixo que ele se encarregue de fazer o certo para o demais, pois, pra mim, eu sei o que satisfaz nas reviravoltas que o meu caminho dá. Então, hoje eu quero tudo, mas às vezes não quero nada. Nada de vazios, aflições e gente sem sorrisos. Quero tudo que me dá paz e me faz feliz. Quero amor, paz e gente que me diz que coisas boas estão por vir, que tudo só depende de mim. Daquilo que luto, mereço e de todos os bons passos que ainda desconheço.

Talvez eu seja mesmo uma louca insatisfeita. Hoje eu quero tudo, mas às vezes não quero nada.  Eu quero tudo que venha para somar. Quero nada que me faça desviar: do sonho, dos risos, da felicidade. O mundo me pertence. Eu  finco os meus pés aonde existe amor — e fico.


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tomara que a gente se esbarre

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19 de agosto de 2016

pluralíssimo com Pâmela Marques

Tomara que a gente se esbarre em uma esquina qualquer e nossos corpos se encontrem. Que você me olhe nos olhos e me diga uma porção de palavras indizíveis, que haja fogo em tuas mãos e que tua língua me descubra. Tomara que o tempo seja generoso e me dê a eternidade em teus lábios, o universo em teus olhos e o infinito em tuas pernas. Quisera que nossas vidas se fundam, se unam, como nossos corpos cheios de desejos e felicidades muitas. Tomara que você me arranque todos os meus medos e me faça compreender que é preciso coragem para se continuar a viver.

Tomara que eu consiga me despir perto de você, de todas as armaduras que me fazem fugir. Que eu deixe lado os medos e todas as infinitas interrogações. Tomara que você peça, daquele jeitinho, para eu ficar e eu, num surto de sinceridade e vontades, fique. E que a gente fique lado a lado, todo tempo que nos for possível.

Tomara que a gente se perca em alguma viela. E, que descubramos cada canto, cada parede, em nosso apertar-se e encontrar-se. Que a gente se tenha, se queira, se entenda. E que as horas sejam lentas, macias, a caminhar-se para a nossa despedida. Tomara que a despedida seja doce, e a saudade não dilacere. Tomara que a saudade seja breve. Tomara que, logo, a gente se esbarre em uma esquina qualquer e nossos corpos se encontrem...


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