Eu tô querendo tudo, mas às vezes não quero nada.

|

23 de agosto de 2016

pluralíssimo com a Joyce Xavier

Talvez eu seja mesmo uma louca insatisfeita, mas a verdade é que eu não sei deixar passar essas vontades que vem do nada. Já passei da fase de me importar com a opinião alheia, então eu faço o que quero. Eu ando querendo tudo – e um pouco mais. O mundo está se abrindo para mim e meu instinto se vê na necessidade de me jogar e viver todas as oportunidades que aparecem no meu caminho. Eu canto, danço e sorrio e vou querendo tudo para mim. Já vivi, ganhei e perdi demais. E continuo querendo somar histórias, beijos, cantadas, músicas e abraços. Eu quero apertar o laço com gente que me sorri no caminho.

Muitos me enxergam como uma insana egoísta, mas, na realidade, cansei de me doar muito para o nada e esquecer que o tudo também pertence a mim. As meias palavras engasgadas, eu assopro para o vento e deixo que ele se encarregue de fazer o certo para o demais, pois, pra mim, eu sei o que satisfaz nas reviravoltas que o meu caminho dá. Então, hoje eu quero tudo, mas às vezes não quero nada. Nada de vazios, aflições e gente sem sorrisos. Quero tudo que me dá paz e me faz feliz. Quero amor, paz e gente que me diz que coisas boas estão por vir, que tudo só depende de mim. Daquilo que luto, mereço e de todos os bons passos que ainda desconheço.

Talvez eu seja mesmo uma louca insatisfeita. Hoje eu quero tudo, mas às vezes não quero nada.  Eu quero tudo que venha para somar. Quero nada que me faça desviar: do sonho, dos risos, da felicidade. O mundo me pertence. Eu  finco os meus pés aonde existe amor — e fico.


• • • • • 

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.

tomara que a gente se esbarre

|

19 de agosto de 2016

pluralíssimo com Pâmela Marques

Tomara que a gente se esbarre em uma esquina qualquer e nossos corpos se encontrem. Que você me olhe nos olhos e me diga uma porção de palavras indizíveis, que haja fogo em tuas mãos e que tua língua me descubra. Tomara que o tempo seja generoso e me dê a eternidade em teus lábios, o universo em teus olhos e o infinito em tuas pernas. Quisera que nossas vidas se fundam, se unam, como nossos corpos cheios de desejos e felicidades muitas. Tomara que você me arranque todos os meus medos e me faça compreender que é preciso coragem para se continuar a viver.

Tomara que eu consiga me despir perto de você, de todas as armaduras que me fazem fugir. Que eu deixe lado os medos e todas as infinitas interrogações. Tomara que você peça, daquele jeitinho, para eu ficar e eu, num surto de sinceridade e vontades, fique. E que a gente fique lado a lado, todo tempo que nos for possível.

Tomara que a gente se perca em alguma viela. E, que descubramos cada canto, cada parede, em nosso apertar-se e encontrar-se. Que a gente se tenha, se queira, se entenda. E que as horas sejam lentas, macias, a caminhar-se para a nossa despedida. Tomara que a despedida seja doce, e a saudade não dilacere. Tomara que a saudade seja breve. Tomara que, logo, a gente se esbarre em uma esquina qualquer e nossos corpos se encontrem...


• • • • • 

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.

calejando.

|

15 de agosto de 2016


— E foi leve como da outra vez?

— Foi. Foi leve e lindo, mas esmagou a saudade. Senti meu coração em frangalhos e miúdo. Tinha falta demais dentro do peito, que quase escapou um pouquinho dela pelos olhos. Eu engoli a saudade, tanto quanto pude, porque não queria deixar que ela fugisse. Era tão minha, tão eu, que quis me dilacerar um pouquinho. Te confesso que fui um pouco sadomasoquista, remoendo lembranças antigas de uma época que eu era tudo — menos minha. E foi com grande pesar que constatei que a saudade que sentia era um tanto dele, um tanto de mim. Te contar essas coisas deixa meus olhos marejados outra vez e um riso fino escapando da face. É que dói um pouquinho, mas a sensação de felicidade é infinitamente maior. Lembra que você me contou que tudo na vida tem um propósito e que as pessoas têm missões? Então, a missão dele foi me fazer enxergar um mundo de outra perspectiva e me mostrar que eu era muito mais do que eu me pintava. Ele sacudiu tanto minha zona de conforto, que quando tomei ciência de mim, já não dava mais certo para a gente. Aí eu segui um caminho seguro e confortável e ele seguiu para o outro lado. Não deu nem tempo da gente se ver se afastando, sabe? Ninguém ficou parado olhando as costas daquele que ia embora, cutucando as memórias que ainda eram frescas. Ninguém derramou uma lágrima sequer. Simplesmente nos demos um abraço demorado e partimos, uma para cada lado. E isso, hoje, me parece tão errado. Porque deveria ter ficado, sabe? Eu deveria ter olhado para trás uma vez e ele deveria ter olhado também, só para firmar a certeza de que nosso tempo tinha sido bom e não vão. É tolo pensar assim, porque sei que sou como sou porque tive influência dele na minha vida. E sei que gosto do que gosto, que como o que como, que danço como danço por causa dele. Tem tanto do que ficou. Eu sou tanto do que ficou. Do que vivemos, do que curtimos, do que dançamos, do que transamos, do que discutimos. Aprendi muito e tinha um punhado mais para. Aí eu sonho e o sonho é leve e lindo, sem malícia, sem desejos. Só um querer bem imenso e uma saudade maior ainda. Foi, foi leve como da outra vez. Mas, dessa vez, dilacerou saudade.



 VEJA MAIS:
FACEBOOK | TWITTER | INSTAGRAM | 👻 mafeprobst

• • • • • 

*Para fins de direitos autorais, declaro que as imagens utilizadas neste post não pertencem ao blog. Qualquer problema ou reclamação quanto aos direitos de imagem podem ser feitas diretamente com nosso contato. Atenderemos prontamente.