Medo Bobo

|

28 de abril de 2017


Ela tem medo de chuva, sabia? Ela fala que 'é arriscado sair nessa chuva', como se as gotinhas fossem balas perdidas.  Tá, eu tô exagerando um pouquinho. Ela só tem medo de trovões. Ah, e de raios também. Nos primeiros barulhos e clarões, ela já está se escondendo em baixo das cobertas, como se fossem uma redoma protetora.

Eu não a conhecia nessa época, mas aposto que até hoje ela ainda tem medo de assistir Castelo Ra-tim-bum, principalmente na hora que o Tio do Nino berra 'Raios e trovões! É um medo bobo? Pra mim é, mas o medo é subjetivo. Eu morro de medo de perder ela. Talvez isso seja meio bobo também, mas fazer o que, né? Cada um com o seu.

É incrível como as coisas mudam. Num tempo ela estava ao meu lado, mas ao mesmo tempo distante. Pouquinho tempo depois ela estava longe , mas muito mais perto do que antes, a ponto de imaginar ela pertinho de mim.

— Te amo, sabia?!
— Eu também amo você, Dona Encrenca.
— Eu sei.
— Então desce logo pra abrir o portão porque está chovendo forte e vai molhar o bolo de cenoura que a mamãe mandou pra você.

Foda-se que é uma noite chuvosa. Lava a alma e a roupa molhada a gente põe pra secar atrás da geladeira.  Ela deitou comigo e,às 3h11 da manhã pegou no sono de repente, enquanto eu fazia cafuné e falava qualquer besteira baixinho só pra distrair ela da chuva.

Abraçados e cobertos, acho que os medos passaram, pelo menos por hoje. Ela não prometeu nada, mas cumpriu exatamente tudo.

DIEGO HENRIQUE.
Prazer, Diego Henrique, 25 anos, Paulista e solteiro. Um aquariano na casa dos vinte, que brinca com as palavras e coloca os sentimentos na ponta dos dedos.
FANPAGE | INSTAGRAM

Começar tudo de novo é uma coisa, recomeçar é outra

|

25 de abril de 2017


Estou recomeçando e recomeçar é chato. Quando você tem um relacionamento muito longo, você cansa só de pensar em começar a levantar as estruturas que estão desmoronadas. A primeira reação é querer não amar, para não doer de novo. Depois você já se acostumou a fazer toda a sua vida sem alguém. Se readaptou a solidão. Já consegue se bastar debaixo de um coberto somente com o travesseiro.

Mas faz parte os recomeços da vida e eis que, um dia, acordo e me deparo com alguém do lado da minha cama. Alguém que me faz bem, que me quer bem e que, junto comigo, tem vivido dias intensos e cheios de alegrias. Quanto clichê junto, meu Deus! Mas, recomeçar é rever e dizer todos esses clichês que a rotina e o costume nos fez perder em relações que o amor foi embora antes da gente.

Então, quando menos esperava, me vejo aqui, recomeçando. Levantando vigas e fazendo fundações que sustentem essa sensação por mais alguns dias até o próximo passo. No fundo, eu sei que esse recomeço é bom. Cheio de melindres bobos. Mas, é gostoso demais saber que, depois da tempestade de poeira que me cegou, estou vivendo. O coração acelerando de novo, o frio na barriga. O gosto bom de um sexo bem amado. Que maravilha.

Olha eu aqui recomeçando. Entrando nessa fria, de novo e novamente. Cheia de redundância nos ‘eu te amos’ ditos com um olhar, um toque e um beijo. Olha eu aqui de novo me sentindo e sentindo. Fazendo planos pro futuro com alguém que conheci outro dia, enquanto achava que só estava tentando sobreviver ao trauma de um término de um longo, duradouro e confortável relacionamento. Conforto é tudo que eu NÃO quero agora. Me confortar e me conformar. Nesse recomeço, tudo será diferente. Fiz uma promessa. Compromisso de coração pra alma. Esse amor será diferente de todos os outros.

Quero continuar acordado sorrindo ao lado dessa pessoa maravilhosa que o destino colocou no meio da minha estrada. Mas só vou continuar enquanto o meu sorriso for proporcional ao sorriso juntos, aos passos dados juntos, aos planos traçados juntos. Porque quando eu me deparar na solidão novamente, na pior solidão que é ser só ao lado de alguém, pulo fora. Vou embora e, juro, sem olhar para trás.

Recomeçar é isso. É saber-se reconhecer diante das experiências do que te fez recomeçar um dia. Recomeçar significa que algo tirou você do lugar pra te colocar em outro. Então, que esse outro lugar seja melhor. Que façamos o possível pra torná-lo melhor. Caso contrário, só estaremos começando tudo de novo.

E não é isso que aquele sorriso lindo que acorda ao meu lado toda manhã me diz sem dizer uma palavra. O nome daquele sorriso é RECOMEÇO.


EDGARD ABBEHUSEN.
Baiano cá do Recôncavo. Vizinho de Edson Gomes, Sine Calmon, fã de Dona Canô e dos filhos que ela deixou no mundo. Aspirante a jornalista e sonhador de um mundo melhor. Tenho axé correndo no sangue. Amor no coração. E entre acarajé e Sushi, eu fico com os dois.
MEDIUMFANPAGE | INSTAGRAM

malditas interrogações

|

23 de abril de 2017


Eu queria poder culpar os astros, mas não consigo acreditar que o signo – maldita geminiana! – seja culpado por todas essas interrogações constantes que pulsam, diariamente, na minha cabeça. Minha mente fervilha. São incontáveis porquês, o tempo todo. Ninguém precisa colocar a pulga atrás da orelha, porque ela já está ali – praticamente um bichinho de estimação.

Observo tudo, todo tempo. Percebo as pessoas, a forma como mudam o sorriso, a forma como escolhem uma música, a forma como escrevem um poema. Eu olho para o preto no branco e fico caçando as entrelinhas. Fico buscando entender porque aquela poesia, porque aquela música naquele momento, porque do sorriso. O nó se forma na cabeça e vai crescendo. E eu vou alimentando, porque é o que sei fazer de melhor. Eu sou ótima em criar interrogações.

Dessa forma, gosto de gente transparente. De gente que não se esconde, que fala abertamente, sem cochichar pelos cantos. Gosto de gente que realmente demonstra aquilo que diz, sem deixar margem para interpretações erradas – porque eu sou cheia (cheinha mesmo!) delas.

Gosto de gente que cala tudo que grita com um abraço. Gente que olha nos olhos e entende o turbilhão que passa neles. Sinto apego nessas pessoas que falam com atitudes e fazem coreografia com aquilo que dizem. Um ‘dois-pra-lá-dois-pra-cá’ entre a boca e o corpo, sabe? Elas sentem o que dizem e demonstram isso. Pago pau, mesmo! Puxo para perto. Admiro. Guardo no cantinho bonito do coração.

Eu preciso dessas pessoas para conseguir respirar melhor. Não gosto das interrogações ferradas que alimento todos dias – sem querer. Não gosto dessas perguntas sem respostas e odeio esse caça palavras, de buscar entender o que está perdido nas entrelinhas, no suspiro, no tom de voz. Queria não complicar o simples.

E nessas interrogações intermináveis, eu vou vivendo a vida. Questionando o que deveria ou poderia ser (quem sabe?) Vou me apegando aos detalhes ínfimos, às pessoas intensas e aos sentimentos mais sincero que a humanidade poderia, um dia, experimentar. Vou vivendo, não como poderia ser, mas como estava planejado para acontecer.




MAFÊ PROBST
Engenheira, blogueira, escritora e romântica incorrigível. É geminiana, exagerada e curiosa. Sonha abraçar o mundo e se espalhar por aí. Nascida e crescida no litoral catarinense, não nega a paixão pela praia, pelo sol (e pelo frio) e frutos do mar.

FANPAGE | @MAFEPROBST | @INSTADAMAFE