Amor proibido

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7 de dezembro de 2016


Era a quinta noite que pensava nela. Meu corpo inteiro clamava por ela. A memória estava recheada das horas mais doces, lindas e quentes que ela passou ao meu lado. Eu fechava meus olhos e a enxergava inteira, nua e minha. Suspirei. O corpo estremeceu desejo e saudades. Pude jurar sentir o seu perfume na ponta da minha língua. Ah, que vontade. Que vontade de tê-la mais uma única vez. Senti-la se perder debaixo do meu toque, estremecer sob meu suor e me encarar linda, relaxada e tímida, me amando um pouco mais a cada vez que sua íris atingia em cheio a minha.

Não teve um dia sequer que não sentia o amor pulsar nas minhas veias. Era um amor proibido, desses de cinema. Um tesão reprimido, cada vez que a gente se esbarrava, por destino, nas esquinas da vida. Eu sentia seu perfume passar por mim e, instantaneamente, já sentia os pelos eriçarem e o desejo pulsar no meio das pernas. Ela carrega esse cheiro doce, que atiça até a mais esquecida das fantasias. Eu a vi da primeira vez por uma feliz coincidência da vida. E eu sabia que não podia, mas, desde então, não lhe esqueci mais.

Eu não deveria ter insistido daquela vez, mas insisti. E ela cedeu, como deveria. Minto. Melhor que deveria. Eu a tive de todas as formas. Lembro da primeira vez que ela se permitiu desmanchar sob mim, se entregando e sendo toda minha, de um jeito que nunca fora. Para ninguém. Era errado. Proibido. Mas ali descobri que amava aquela mulher, tão menina, tão moleca. Tão... Minha.

Enquanto ela se desfazia e gozava; enquanto ela me acariciava e me cuidava; enquanto ela me estendia a mão, escondida; enquanto ela só me olhava, num beijo distante; eu retribuía amor. E pulsava amor.

Proibido não é o amor. Proibido é não amar.



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há saudade em tudo que vejo

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4 de dezembro de 2016

"Eu sou um aeroporto. 
Chegadas e partidas são a única certeza na minha vida".
(Lucas Silveira)

Eu vi a saudade da janela.

Ela estava camuflada no concreto de São Paulo, um pouco escondida na névoa poluída que sombreava, levemente, a cidade. A medida que tudo lá embaixo ficava pequeno, a saudade ficava maior. Se agigantava em cada detalhe que estava ficando para trás e me diminuía um tanto mais. Eu me senti esmagada contra a poltrona, pequena diante das imensidões que via da janela. A saudade era a maior delas.

Tudo virou uma coisa só.

A saudade era lá embaixo, a saudade era aqui em cima. A saudade era eu, todinha. Chovia no meu rosto. Deixei. Botei os fones de ouvido, na expectativa da música calar a saudade que gritava. Me enganei. As melodias me invadiram com ferocidade. Tudo, tudo, tudo era saudade. A música. A chuva. O voo. O sol se pondo. A estrela, única, que surgiu no céu.

Achei que acostumaria com essa certeza de chegadas e partidas. Deveria estar vacinada contra as despedidas, mas é sempre tudo novo. A saudade já me sorri antes mesmo de eu partir. Fica ali, parada, observando atenta o último abraço e me dá a mão assim que desfaço o laço.

Maltrata.

Eu vi a saudade da janela. A cidade apequenou-se diante dela. Os detalhes vinham cutucar a memória. A memória, a música, a chuva, o sol se pondo, a estrela, tudo, tudo alimentava a saudade, que se agigantava. Ela caiu, pesada, no meu colo e me senti esmagada contra a poltrona. Fiquei miúda diante das imensidões que via da janela.

A saudade era a maior delas.


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eu me enchi de você

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29 de novembro de 2016


Estou cheia, empanzinada, agoniada. Tem excesso demais por todos os lados e eu me permiti absorver esses exageros como se não houvesse amanhã – e, de fato, o amanhã mesmo nunca chega. O coração acelera todas as vezes que me sinto cheia. Suspiro. Reviro os olhos. Sorrio. A verdade é que me enchi de você.

Eu me enchi de você cada vez que liguei o rádio e tocava aquela tua música favorita. Eu me enchi de você no refrão melancólico, cantado aos quatros ventos, enquanto riscava o asfalto sem ter algum lugar para ir. Eu me enchi de você quando troquei a estação e a música continuava sendo tua. Outras melodias, mesmas lembranças. Eu me enchi de você.

Eu me enchi de você quando um sorriso deixou de fazer sentido. Eu vi as entrelinhas em cada emoji enviado, que ninguém mais entende. Estou de cabeça para baixo e cheia de você. Sorrindo bobo, sorrindo mais. Eu me enchi de você em cada fim de tarde que colore a cidade com a cor do riso teu. Nesses dias, eu costumo ficar sentada em frente ao mar, me enchendo de você cada vez que as ondas lambem a areia, trazendo na boca o gosto do beijo que roubei. Eu me enchi de você naquele gole de café, propositalmente requentado. Preparei-o naquelas cafeteiras italianas e deixei esfriar de propósito, só para sentir o cheiro dele, requentado, direto do microondas. O cheiro inundou a casa e eu me inundei de ti.

Eu me enchi de você debaixo da ducha quente. O vapor se misturou com o perfume do teu shampoo preferido e eu me misturei na lembrança tua. Na lembrança nossa. E transbordei você, todinho.

Eu me enchi de você.
E ainda cabe tão mais de ti aqui dentro



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