O dia depois de hoje.

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27 de janeiro de 2013


Vinte e sete de janeiro de 2013. Eu queria entender o que passa aqui dentro. Eu queria saber exprimir em palavras o que, de fato, eu estou sentindo. Eu queria poder transcrever como fiquei ao ver as notícias na televisão logo que eu acordei, mas eu não consigo. Eu não conheço nenhuma daquelas pessoas que estavam presentes na boate de Santa Maria. Eu não conheço e sequer sei os nomes dos pobres jovens que foram marcados – para sempre – nessa tragédia. Mas eu fiquei chocada, eu fiquei mexida, eu fiquei chorosa, eu fiquei sentida. E senti raiva. Não do dono, nem dos seguranças, nem da banda, nem de ninguém. Mas senti raiva da vida, de como ela é traiçoeira de uma hora para outra. Não vejo porque querer apontar um culpado, tragédias acontecem, assim como um terremoto acabou com Porto Príncipe. Fim. Me dá raiva ver a mídia querendo apontar culpados, como se a vida já não tivesse sua parcela de culpa.


“Os seguranças não queriam deixar ninguém sair sem pagar... 
Fico pensando, será mesmo que eles segurariam toda essa gente se soubessem o que estava acontecendo? Como um humano é imune à essa “carnificina” ? Pois é isso que eu penso que é, se de fato os seguranças “prenderam” todos esses jovens lá dentro... Não foram tão vítimas quanto todas as outras que estavam lá dentro?

Eu fiquei chocada, comovida. 233 pessoas morrem em completo desespero. 233 pessoas se atropelaram para poder respirar um pouco de vida. 233 pessoas tiveram sua vida encerrada no meio de um momento de alegria, de descontração. E esses jovens poderiam ser eu. Esses jovens poderiam ser meus amigos. Essa tragédia poderia ser ao lado de casa, então como não se comover? No ‘dia depois de hoje’, quem é que vai numa boate e não vai procurar a saída de emergência mais próxima? Quem é que vai numa festa e não vai se certificar de estar próximo de uma rota de fuga? Quantas pessoas jamais botarão os pés em um ambiente fechado de novo?

Deixo meu silêncio. Meu lamento.

Meu abraço quieto para todos aqueles qual não conheço, para as famílias mutiladas. Meu pesar para aqueles que, em agonia, se perderam.  :\



"(...)Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. 
Não vão se lembrar de nada. 
Ou entender como se distanciaram de repente do futuro. 
Mais de duzentos e quarenta jovens 
sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos. 
 Os telefones ainda tocam no peito das vítimas 
estendidas no Ginásio Municipal. 
 As famílias ainda procuram suas crianças. 
As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.
Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu. 

 As palavras perderam o sentido."


comentários pelo facebook:

13 comentários:

  1. Eu também chorei muito ao saber da tragédia e imaginei um amigo meu lá, a dor das famílias, o desespero nos hospitais.
    Nós vamos esquecer o que aconteceu. Nós e toda a mídia.
    Amanhã, ainda vamos lamentar cada vida interrompida inocentemente, nessa noite de sábado. Novos julgamentos sobre cada detalhe irão surgir, por alguém que nem estava lá. Outras notícias trágicas vão tomar conta das capas de jornais e revistas e na semana seguinte, além de pais, parentes e amigos, ninguém mais vai lembrar.
    Mas fica aqui, o lembrete, o alerta e a mensagem mais clichê e antiga sobre valores e afeto entre as pessoas; não espere tragédias pra valorizar o teu viver.
    A vida é um sopro, e desta, pra quem fica, só resta amor e saudade. Muito amor, muita saudade.

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  2. Maria Fernanda... Seu texto é de uma sensibilidade tremenda.
    Compartilho do seu sentimento.

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  3. Triste! Um aperto no coração e um nó na garganta: é o que eu sinto agora. Não dá pra entender, não dá pra explicar. Só podemos, agora, orar pra que Deus, em sua imensidão, conforte a todas as famílias. Foram mais de 234 sonhos, mais de 234 sorrisos que agora são estrelinhas brilhando lá no céu... Não dá pra entender mesmo! =(

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  4. Não há o que falar, é triste demais.

    Convido a todos para agirmos juntos. Doem qualquer quantia nesta vaquinha e vamos tentar auxiliar as famílias destes jovens nessa hora difícil. Segue o link abaixo:

    http://massquemomento.blogspot.com.br/2013/01/santa-maria-dor-precisa-nos-fazer-agir.html

    Beijo, Fê!

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  5. Eu também fiquei comovida. Meus olhos se encheram de lágrimas ao ler a matéria e ver as fotos.

    Culpar alguém a esta altura é inútil.

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  6. Muita lágrimas no final desse texto. Choro como se pudesse sentir o desespero de está num lugar que nunca tive, como se... E já me faltam palavras, de novo.

    Peço, que realmente Deus possa confortar os corações de todos os familiares, os amigos, os conhecidos, os parentes, e todos aqueles que mesmo não sendo nada se disponibilizaram a ajudar.

    Boa noite,

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  7. Que texto triste, e lindo ao mesmo tempo. Que Deus ilumine a todos os familiares e amigos das vítimas.

    Abraço.

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  8. Impossível ser imune a essa tragédia. Impossível os olhos não se afogarem em lágrimas ao ver o desespero de pais, mães, namoradas (os). Impossível.
    Podia ser qualquer um de nós, em qualquer lugar do país.
    O tempo vai passar, e nós, desconhecidos, esqueceremos o choque... agora, o pior é pra quem ficou e viu entes queridos partirem depressa demais. Desesperados demais. Sem chance, sem ar.

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  9. Uma dor sem tradução, é a única coisa que consigo pensar.

    Estava com saudades de passar por aqui, e também de receber a sua visita lá no Mantras.

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  10. Não há mais muito a dizer... exceto de que tu sempre foi mestre em tocar o sentimento humano e não mudou nada. Aliás, mudou sim, para melhor.
    Tu entende a vida de uma forma que deveria ser decorrente em todas as pessoas. Obrigada por isso.
    Hoje resolvi passear pelos blogs, a fim de reavivar minha bloguice, pois eu conhecia pessoas demais naquela boate e preciso esquecer o acontecido.
    Abraços cheio de saudades.

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  11. É muito triste mesmo o que aconteceu. acredito que todo o brasil se sentiu tocado..
    Adorei seu texto.

    Ana - http://diiariodocediario.blogspot.com

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