o dia que resolvi partir

|

21 de fevereiro de 2016



Fazia muito tempo que eu estava longe de mim. Eu me escondia na rotina e, fatalmente, era sugada por ela. Dia após dia desenhando histórias que não eram minhas. Dia após dia adiando a vida. Só existindo, sem viver. Esperando... Esperando o quê? Não tinham respostas para as minhas perguntas. Sequer haviam perguntas, porque não me preocupava muito em pensar nelas. Foi então, determinado dia, que acordei que percebi que o tempo havia voado e não dava mais para ficar sentada esperando. A vida escapava dos meus dedos e eu precisava reagir.



Não foi fácil.

O ser humano tem a mania de se amarrar no comodismo e se camuflar na rotina. Tendenciamos a caminhar pela trilha que exige menos de nós. É como estar num barco e deixar que a maré te leve, porque remar é trabalhoso demais. Mas você enxerga o problema? Se permitirmos que nos levem, não sabemos onde iremos dar. Eu estava a deriva e, quanto mais o mar me afastava, mais ansiosa e preocupada eu ficava.

Num rompante, resolvi pegar os remos e comecei a remar.

Ok, ok, ok. O 'rompante' não foi tão imediato. Levei meses de choro, crise e taquicardia até ter coragem de ditar meu próprio caminho. A ansiedade foi companheira por semanas e aprendi a lidar e controlar, mas alguns dias ela vinha tão forte que possuía total domínio sobre mim. Eu me sentia miúda. E doía, intensamente.

Não é fácil perder o controle da própria vida e demorou um tempo para conseguir me reinventar e me reconhecer outra vez. Tive várias pessoas que me ajudaram nessa fase transitória e me incentivaram a  pegar os remos e sair do lugar, ditar as regras, seguir meu caminho. Eu me joguei sem medo. Senti os braços queimarem, o cansaço bater, mas tinha algo tão lindo em mim que valeu a pena (e ainda vale) todo o esforço:

Um sorriso. Imenso.



comentários pelo facebook:

11 comentários:

  1. Sorriso esse que faz valer a pena toda a taquicardia que foi gota d'água pra te mover. Texto lindo. Verdade mais ainda.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É como a flecha, sabe? Que precisa ser puxada para trás para poder ir pra frente e atingir o alvo.
      Agora, só vai ♥

      Excluir
  2. Texto incrível! Fico feliz que você tenha resolvido essa questão da sua vida, e escrito esse texto servindo de inspiração a pessoas que estão passando por algo semelhante!

    Virando Amor

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Carol, pretendo escrever mais sobre a ansiedade e o que ela fez comigo. Acho que tem tanta gente que sofre do mesmo mal,que seria um crime eu guardar minhas experiências só comigo. ♥

      Excluir
  3. Caralho! Esse assunto é tão difícil pra mim. Eu fiquei 2015 inteiro lutando ou fingindo que não tinha nada, achava que desmaios frequentes, falta de concentração, taquicardia eram coisas passageiras, até que numa crise muito forte e no desespero de fim de semestre decidi que a primeira coisa que faria por mim nesse ano seria cuidar da minha mente. Consultei com um psiquiatra, tenho TAG, transtorno de ansiedade generalizada, estou me cuidado além de tomar medicação e espero sair logo desse limbo.
    Desculpe o textão!rs
    Doeu ler essas linhas, ando tendo dias ansiosos.

    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aaaaaaaaai Ari, sério? Eu, grazadeus e mais um monte de gente, parei com as crises, mas tive uns bons meses de convívio com essa falta de vontade de ser. Sabe, entre uma ansiedade e outra (eu brinco que a ansiedade era meu corpo me dando uns tapas e dizendo 'reage bee'), eu simplesmente me arrastava, sabe? Não tinha vontade de nada, de ir, de ficar, de trabalhar... Espero que as coisas fiquem boas por aí, assim como estão por aqui.

      Beijos

      Excluir
  4. Maria, pessoas como você iluminam sempre sempre!!!
    Transformar essa situação difícil em algo tão bonito de ler! E olha, estou muito feliz que você já está saindo dessa fase!
    Não digo que estou vivendo por isso também, mas sinto que é algo parecido, estou meio estranha ultimamente, mas estou buscando força de Deus e das palavras de quem está pertinho ou tão longe, mas que conseguem tocar mesmo assim!
    Um abraço, querida!

    D'cifrando

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Deisinha, que saudades de te ver por aqui ♥
      A ansiedade pode vir de várias formas e mudar de pessoa para pessoa, espero que as coisas por aí logo se ajeitem, assim como se ajeitaram do lado de cá.

      Um abraço IMENSO de gigante,
      mafê ♥

      Excluir
  5. Também passei o ano de 2015 sofrendo de ansiedade. Larguei meu emprego, cidade e retornei para casa e meus pais. D ínício sofri mais ainda: does de estômago, insônia. hoje aos poucos tenho melhorado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Talita,
      se reconhecer é o primeiro passo. Agir, seja da forma que for, é outro. Aceitar que estamos com problemas torna tudo mais fácil. Tente conhecer seu corpo e entender o que te deixa ansiosa. As coisas melhoram se a gente se permite melhorar e vai cedendo espaço pra nós mesmos.

      Um abraço imenso ♥

      Excluir
  6. O mais bonito da jornada é esse jeito de ressignificar o que acontece. A ansiedade elevada era um grito pra lhe alertar sobre o que estava acontecendo em sua vida. E que bom que você ouviu e tem se reencontrado. É tão lindo ler isso aqui, sabia? Com esse final, você falando do que tem valido a pena ser um baita de um sorriso.
    Desejo apenas que você continue desse jeitinho, buscando sua inteireza. Nada mais gostoso na vida do que a gente se sentir inteira.
    Um beijo bem grande e abraço beeeeeeeeeeeem apertado (que deu uma vontade do tamanho do mundo de lhe dar agora). :*

    ResponderExcluir

infelizmente a plataforma do blogger é meio ruinzinha para comentários, então, se quiser ver minha resposta ao comentário, terá que voltar por aqui. Ou comente pelo Facebook, ali em cima, aí aparecerá a notificação da resposta para você ;) Ah! e se tiver um blog, não tenha medo de deixar link, ok? Procuro visitar todos ♥