De bem com o destino

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16 de março de 2016


Ando percebendo algumas coisas engraçadas ultimamente. Será que o universo realmente conversa com a gente, presta atenção nas coisas que, às vezes, nem percebemos? Se tem uma coisa que eu percebi nos últimos tempos é que não existe frase mais verdadeira do que “as coisas acontecem quando a gente menos espera”. E se a gente colaborar, o universo conspira sim a nosso favor. É bizarro. Mas tem que rolar uma ajuda mútua, não é só torcer pra tudo dar certo e pronto, cruzar os braços. Depois não vale amaldiçoar o mundo porque nada acontece do jeito que você gostaria que tivesse acontecido.

Não faço ideia do que aconteceu, não sei o que fez o mundo girar de uma forma diferente, mas ultimamente parece que o universo está me escutando e nem sei como descrever o quanto isso é gratificante. E sabe como isso tudo começou? Quando essa reviravolta decidiu acontecer? Quando, na virada de ano, eu prometi para mim mesma que deixaria de torcer para o universo conspirar a meu favor e fazer todo o trabalho braçal sozinho. Quando eu decidi que, a partir desse ano, eu me viraria sozinha, eu mesma daria conta de fazer tudo o que eu sonhava em alcançar. Eu disse uma frase que parece ter mudado as rédeas da minha vida; eu me basto. Pronto. E eu percebi isso de forma tão convicta que até o arrepio que tomou conta dos meus braços acreditou. A partir disso, até o vento que soprava meus cabelos no meu rosto parecia diferente. Porque de um segundo para o outro eu me tornei diferente. E não precisei que ninguém me mudasse, não precisei da ajuda de nenhum anjo salvador pra me dar conta de que eu mesma era o suficiente pra mim.

Sempre fui uma pessoa meio solitária, meio contida. Passo muito tempo tentando absorver a profundidade que tenho em mim mesma. É desgastante, é frustrante e exaustivo na grande maioria das vezes. Acho que algumas pessoas nascem mais atormentadas que outras, mas fazer o que? Não escolhi carregar o fardo, mas não vou morrer por causa disso. É uma simples questão de escolha: se aceitar da maneira que você é e lidar com isso de cabeça erguida ou passar o resto da vida tentando mudar algo que, sinto informar, é imutável.

Passei grande parte da minha vida esperando as coisas acontecerem. Tinha um plano, todo um planejamento formado de como eu imaginava que a minha vida seria a partir de determinado momento. Sempre acreditei que hoje minha vida seria de um jeito completamente diferente do que é. Quando percebi que não era bem assim que funcionava, cheguei bem perto de enlouquecer. Quando percebi que não havia como nadar contra a maré, quis me afogar nessa correnteza. Fiquei nessa por um bom tempo, desorientada, sem fazer a menor ideia do que eu deveria fazer com a minha vida. É meio desconcertante não ter a mínima noção do que fazer para começar a arrumar a casa. Por onde você começa a mudar quando tudo precisa ser mudado?

Eu tinha duas opções; ou eu deixava todos esses pensamentos, incertezas e medos me pegarem ou fazia alguma coisa para colocar a cabeça no lugar. Confesso que fiquei assim um tempinho, aceitando que não estava nada do jeito que eu gostaria que estivesse, que falta uma, duas, mil coisas para me sentir plena de verdade e sentindo pena de mim mesma. Mas se tem uma coisa que até eu, com minha pouca vivência, sei é que a vida passa muito rápido e qualquer coisa pode acontecer a qualquer momento. Não queria desperdiçar nem mais um segundo da minha vida, nunca me perdoaria se chegasse a um ponto em que eu olhasse para trás e percebesse que não fiz nada do que gostaria de ter feito por culpa minha. Me lembrei da promessa que fiz pra mim no começo do ano e é aí que quero chegar.

A gente precisa deixar de lado alguns confortos para poder viver momentos incríveis. Às vezes o destino está esperando, de braços cruzados e impaciente, você se tocar de que também precisa se mover. Às vezes o destino está ali, do seu lado, só esperando a oportunidade certa pra jogar algo maravilhoso no seu caminho. Seja uma pessoa, um momento ou uma oportunidade. Acredito muito nessa coisa de momento certo, de “era pra ser”, de saber ver os sinais que a vida, bem discretamente, espera que você veja. Mas também acredito que, de alguma forma, temos que estar abertos a isso. E eu não estava até me lembrar do que havia me esquecido nos últimos meses. Eu me basto.

Decidi deixar de lado toda a negatividade e começar a procurar por alternativas que fossem me fazer bem, me ajudar a me encontrar de novo. Só precisamos de nós mesmos, afinal, certo? E não é que logo depois que eu decidi tentar me fazer feliz surgiu a oportunidade de fazer uma viagem incrível sozinha? Eu, claro, aceitei. Só pensei bastante depois que já tinha me agarrado a essa oportunidade com unhas e dentes. Apesar do frio gigantesco na barriga, era pra ser. Como eu disse, acredito muito nessa coisa de sinais, sempre fez todo o sentido do mundo pra mim. E era pra ser. Viajei sozinha pra Nova York com uma única mala e muitos sonhos na cabeça. A companhia era pouca, mas a vontade de viver era muita. Estava nervosa? Muito. Mas não de um jeito ruim, parecia que cada fibra do meu ser me abraçava agradecendo por essa ousadia. Tudo fazia sentido naquilo, eu tinha a certeza absoluta de que estava fazendo a coisa certa. E quer saber? Foi a melhor escolha que já fiz na minha vida. Acho que nunca aprendi tanto em tão pouco tempo e de um jeito tão maravilhoso. Conheci muita gente incrível, lugares maravilhosos e vivi momentos inesquecíveis. Me apaixonei por muitos sorrisos lindos, por estranhos inusitados e paisagens de tirar o fôlego. E cada vez que eu me lembrava de que estava bem sozinha, uma pessoa diferente aparecia e me conquistava de alguma forma. Parecia que o universo queria me recompensar por cada pensamento mais maduro que eu tinha. E, quando eu ousei fazer um pedido para quem estivesse ouvindo, o destino sorriu. E foi incrível. Ali um coloquei um marco na minha vida.

Voltei outra pessoa. A viagem foi incrível e superou todas as minhas expectativas, mas também voltei com o peito um tanto quanto pesado. E quando estava tentando entender tudo o que minha cabeça chorava para processar e meu coração sofria tentando se acostumar, senti que estava me fechando de novo em mim mesma. Não podia fazer isso novamente, não depois de tudo o que eu havia aprendido tão profundamente em tão pouco tempo. Bati um papo comigo mesma e coloquei a casa em ordem – se bem que nunca vou estar de fato em ordem, sou a bagunça mais louca e desesperadora que já conheci. Por mais que os outros tentem, cabe a nós mesmos nos ajudar. É uma verdade fodida, mas ainda assim é uma verdade. Quando decidi que não iria mais sofrer por conta de um deslumbramento, um encanto por um novo velho conhecido, no momento em que expressei essas palavras em voz alta, recebi uma mensagem de um novo estranho simpático. E mais uma vez veio aquela sensação de que eu estava fazendo certo, escolhendo a minha própria felicidade.

Parece até mentira, mas ultimamente o universo parece estar olhando pra mim, atento aos meus passos e escolhas. Parece que finalmente sinto alguém tomando conta de mim, me dando beijos na testa e tapinhas no ombro. Tudo porque estou cuidando de mim mesma também, porque decidi tomar as rédeas da minha vida e me responsabilizar por minhas escolhas. Porque decidi ser feliz por conta.

A vida era mais solitária quando eu esperava pelos outros, quando rezava pra entrar alguém na minha vida que me motivasse o suficiente para fazer tudo o que eu deveria ter feito sozinha. Descobri que me sinto muito menos sozinha quando decido ser feliz por mim, quando tomo atitudes que farão bem pra mim. Quando somos felizes conosco os outros percebem isso, inconscientemente, e querem se aproximar. Foi rindo sozinha, me sentindo bem comigo e sendo feliz com a minha própria companhia que conheci pessoas maravilhosas que se sentiram atraída por alguma coisa em mim que, até eu, estava começando a me apaixonar. Aquela coisa de observar o que está emitindo para perceber o que se está recebendo nunca fez tanto sentido pra mim. Foi quando percebi que eu me bastava que pude aproveitar as companhias que, de repente, foram surgindo na minha vida.

O que eu quero dizer com tudo isso é que a cada vez que eu criava coragem e descobria em mim a vontade de ser feliz sem depender de ninguém, o destino me presenteava com alguma coisa. Com uma viagem inesperada, companhias maravilhosas, um estranho incrível e ainda mais força e vontade de viver.

O resumo da ópera? Vou continuar com essa meta: eu me basto; e vou ser feliz por mim — isso contagia os outros. “As coisas acontecem quando a gente menos espera”, “observe o que está emitindo para perceber o que está recebendo”, “o que é pra ser vai ser”... São meus mantras diários que vou levar tatuados na alma até que outros se tornem mais verdadeiros e significantes para mim. Descruzando os braços vou buscar aquilo que me faz bem, vou construir meu próprio caminho, fazer da minha estrada maravilhosa e incrível. Não mereço nada menos que isso. Se o destino quiser me presentear com algo ou alguém, é muito bem-vindo, mas não vou mais depender de expectativas, de sonhos amargurados e nós na garganta. Eu me basto. Eu me basto.

Enquanto isso, vou deixando a correnteza me levar, nadando a braçadas. De vez em quando eu me agarro a algumas pedras, aprecio a vista ao redor e deixo a água tentar me puxar. Sem lamentações. Só o tempo de respirar fundo novamente antes de me jogar nessa correnteza de incertezas com algumas certezas também, por que não?

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LAURA BRAND, Complicada, revoltada, escritora aspirante, yogi, sonhadora e dona de um coração alvinegro. Sonha em viajar pelo mundo escrevendo e movendo a caneta da maneira que seu coração desejar. Ama conhecer gente nova com histórias para contar. Apaixonada por animais, livros e sorrisos. Não sabe se explicar mas adora tentar. Está constantemente tentando se encontrar, mas enquanto isso despeja alguns devaneios lá no blog Nostalgia Cinza.
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7 comentários:

  1. Aquele tipo de texto certo no dia certo, na vibe perfeita. Laura sempre arrasa quando aparece por aqui. <3 de vez em quando tudo que precisamos é olhar pro lado de dentro um pouquinho.

    www.gisellef.com.br

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    1. Muito obrigada, ganhei meu dia com esse comentário, Giselle <3

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  2. Lindo texto Laura, me identifico com cada frase sua. Fiz um mochilão sozinha final do ano e sem dúvidas foi a melhor coisa que fiz para mim mesma. A gente volta outra pessoa :)

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    1. Meu sonho ainda é fazer um mochilão, espero realizar essa vontade num futuro próximo, tenho certeza que vou voltar completamente inspirada e transformada.

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  3. Eu precisava ler isso sabe? Entrei hoje aqui com um pequeno vazio, uma desconexão de mim, e bate um pouco com o que você escreveu. Creio que preciso encontrar este limiar e decidir me bastar, achar a rota para ser feliz por conta, sem ficar refém de longas esperas, de dolorosas fugas...

    Seu texto é libertador. Me recompôs...

    Parabéns!

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    1. Fico muito feliz que meu texto tenha aparecido na hora certa, era tudo que eu queria postando esse texto. Espero que você continue se recompondo e se libertando <3

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  4. Não faz ideia do quanto esse texto mudou o meu dia. Obrigada!

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