Quem é você?

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29 de março de 2016


Ele não existe, o riso dele é bolinha de sabão, pluft, sumiu. As palavras que ele cita e recita são borrões, rascunhos bonitos que se vão. Eu fico aqui, olhando suas linhas e bebendo sua mentira. Alimento minha ira e sufoco de tristeza. Triste solidão.


Eu queria ignorar a sua maestria, seu escrever tempestuoso lotado de rebeldia, mas pressinto que, se avançar nas descobertas a seu respeito, me tornarei indefesa, boba e cairei de cabeça nesta doce cilada. Por que você tinha que ser tão perfeito? Apesar de todas as imperfeições, quando eu mais queria, havia você ali, de escanteio. Quando eu mais precisava, aparecia você com suas linhas e entrelinhas.

Invejo essa tua arte de escrever, mas desdenho essa tua realidade inventada. Desejo coordenar as palavras com esse sutil ceticismo que você domina, mas desprezo essa vida que tomaste como tua: essa vida não é tua. É minha.

Arranque a tua máscara, você nunca foi príncipe, nem mesmo sei se você é capaz de ser vilão. Quem é você? Onde mora? O que te faz querer entrelaçar tua história na minha? Deixe-me continuar, me deixe seguir, sem crises, sem apertos e nós no coração. Me deixe, te deixo, se dane.

Parceria com Ju Fuzetto

comentários pelo facebook:

2 comentários:

  1. Palavras que fazem a gente mergulhar. Um texto nada óbvio, com palavras tão bem usadas. Adorei. "Me deixe, te deixo. Se dane". ❤

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  2. Ah, vocês duas... os melhores plurais. <3

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