Tchau, querido.

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5 de maio de 2016


Devo te confessar que não estava nem um pouco ligada no dia de hoje. Acordei com aquela dor de cabeça costumeira, tomei um remédio e voltei a dormir. Aliviou depois de quarenta minutos. Levantei, fiz um café com leite, arrumei o que tinha para ser arrumado e saí para a rotina que me chamava do lado de fora. O dia estava mediano: nem sol demais, nem chuva. Nem quente demais, nem frio. Um dia comum, simplesmente.

Atravessei a manhã entre ocupações e janelas de mensagens abertas – um recorde, devo te dizer. Almocei sopa, feita pela mãe. É sempre uma delícia quando almoço na mãe, me faz voltar aos quinze anos. Escovei os dentes, arrumei minhas coisas – outra vez – e parti, para a jornada em outra empresa.

O rádio estava ligado, como sempre. Na estação de sempre, porque tem coisa que nunca muda. Uma hora da tarde, não havia música. Só as vozes de diversos rapazes contando piadas e notícias, não necessariamente nesta ordem. Todos deram alô para os ouvintes. Anunciaram as notícias. Cinco de maio, dia do agito... Pausa. Cinco de maio. A data passou seguidamente pela memória, repetida, sem querer, num mantra: cinco de maio, cinco de maio, cinco de maio... Ah! Cinco de maio.

Pois é, amigo. Cinco de maio. Você faria o que...? Trinta e um anos? É tanto tempo que não lembro mais. Não lembro se você tinha vinte e três ou vinte e quatro quando tudo ficou escuro. Foram-se oito anos desde então. Oito aniversários... Vazios.

Eu pensei em você, instantaneamente. Tua imagem invadiu com ferocidade a lembrança. Você com eternos vinte e poucos anos, os olhos de menino, a barba por fazer e uma vida inteira para viver, desbravar, conhecer. Tentei te envelhecer oito anos, mas não consegui. Você se foi para ser sempre jovem para mim.

E hoje o dia tá assim, nem lá nem cá, nem oito nem oitenta. Não é um dia bonito, mas também não é um dia feio. Tá morno, sabe amigo? Amanheceu um dia morno, como se faltasse alguma coisa. E agora, nessa hora, descobri – de fato – que falta.


Meu feliz aniversário daqui. Uns beijos no vento para aí e uma saudade, daquelas, velha conhecida nossa.



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4 comentários:

  1. Ain meu coraçaum... Deu uma dorzinha, sabe? Principalmente porque 6 de maio(amanhã) é o dia do meu ex-melhor amigo que continua por aqui, embora a distância tenha permanecido como rocha entre há um tempo e sem que eu pudesse ter qualquer poder de escolha. E há saudade! E como há.
    Não importa como perdemos as pessoas pela vida, elas sempre fazem falta e vez ou outra essa falta tenta se organizar em palavras, pra nós que precisamos delas.

    Um beijo no seu coração, minha querida! Com muito amor do lado de cá :*

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  2. Nossa eu ja disse uma vez, mas vou repetir entrar aqui é sempre bom, porque é cada post que toca no coração da gente, o outro que eu li era tipo um conto, esse ficou no ar se é de alguem especifico ou outro conto rsrs, é isso que torna tudo tão maravilhoso de ser lido, identifica com a gente de alguma forma.

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  3. Daqueles que arrancam uma lágrima tímida. <3

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