33rd St

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8 de junho de 2016



Tem gente que parece ser um livro, daqueles que chamam a atenção logo de cara na mais completa – e incompleta – estante da vida. Com aquela capa engraçada, toda enfeitada e cheia de cor. Aquelas paletas de cores que em qualquer outro alguém ficariam ridículas.

De vez em quando acabamos esbarrando em pessoas inexplicáveis, pessoas com um brilho único, um quê de individualidade incomparável. Pessoas com o sorriso sincero, a risada aguda e gestos honestos. Algumas pessoas parecem a materialização da felicidade pura, o reflexo de todos os sonhos que ainda desconhecemos. Enquanto parece que estamos sempre tentando nos encontrar de algum jeito complicado e exaustivo, algumas pessoas sabem simplesmente... ser. E ela era. Não era uma metade, não sabia ser pedaço. Ela era intensa mesmo quando parecia querer ser pouco.

Um reflexo nos olhos, um vento no cabelo, uma melodia no coração. Ela não precisava de muito pra brilhar. Desde o primeiro momento ela me deixou intrigado; como pode uma pessoa ser tanto em tão pouco? Será que ela não via que quase me cegava com tanta luz? Parecia quase errado ficar próximo de tanta pureza. Errado e inevitável.

De inocente ela não tinha nada. De incoerente muito menos. Sabia por onde andava, com quem falava, como deveria fazer. Sabia sorrir de um jeito... Sabia olhar com o canto do olho, sabia enfeitiçar com as mãos, sabia exatamente como arrastar a voz da maneira certa para deixar um homem aos seus pés. Só não sabia o poder que tudo aquilo tinha em mim.

Sempre me perguntei se toda essa história de anjos tinha um quê de verdade, e toda vez que eu olhava pra ela tinha certeza de que estava cada vez mais perto de descobrir.

Daquelas passantes, viajantes, desgarradas, brilhantes. Me fez um ignorante por tentar entender e um idiota por acreditar que poderia acompanhar. Aquela mulher tirou esse homem do sério. Era desconcertante olhar para uma metáfora viva, para versos andantes. Criou um poeta que queria mais do que tudo escrever sobre a inconsistência daquele ser.

Minha vontade era de prendê-la, capturá-la só pra mim. Porque eu sabia que ela estava escapando, porque sabia que aquele pouco tempo com ela tinha data de validade. Mas ela foi feita pra ser livre, pra tirar meu chão em dois dias e mandar um beijo por cima do ombro na despedida do terceiro. Como um pássaro que deixa para trás uma pena, ela deixou comigo uma lembrança. E eu fiquei ali todo bobo tentando entender onde eu havia me metido, quem eu seria depois dela.

A minha flor tinha sede de luz, fome de vida. Do mesmo jeito que veio ela se foi, se abriu e se fechou, pousou para alçar voo de novo. Pássaro não se prende em gaiola, e eu adorei vê-la voar.


***
LAURA BRAND, Complicada, revoltada, escritora aspirante, yogi, sonhadora e dona de um coração alvinegro. Sonha em viajar pelo mundo escrevendo e movendo a caneta da maneira que seu coração desejar. Ama conhecer gente nova com histórias para contar. Apaixonada por animais, livros e sorrisos. Não sabe se explicar mas adora tentar. Está constantemente tentando se encontrar, mas enquanto isso despeja alguns devaneios lá no blog Nostalgia Cinza.
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1 comentários:

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