conversa de botas batidas em Inhotim

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28 de junho de 2016


Nas férias agora, em Junho, tive o prazer de conhecer Belo Horizonte e as delícias mineiras. Nos sete dias que fiquei na região, visitamos pontos turísticos da cidade e depois fomos para Inhotim e Tiradentes.

Inhotim é um museu a céu aberto com o paisagismo mais impressionante que eu já vi na minha curta vida. O lugar é incrível! Arquitetura louca, obras insanas e muito, mas muitos legais! A obra que mais me chamou atenção, foi uma obra da Adriana Varejão, uma artista plástica brasileira, carioca, nascida em 1964. A obra me fisgou de imediato e a reação que tive foi impagável: eca, que nojo.


A foto acima, retirei do site do museu e ela até parece inocente. Mas no meio desses azulejos bem feitos, você encontra tripas. Isso, meu caro. Você leu certo. São tripas.



A realidade impressiona. As tripas são feitas de poliuretano e a tentação de tocar na obra é gigante. Eu fiquei com uma cara embasbacada e perguntei ao rapaz do museu qual era a ideia da artista quando resolveu fazer a obra. Eu podia esperar tudo, menos o que se sucedeu.

A obra foi inspirada no hotel Linda do Rosário, um hotel que desabou em 2002 devido à uma reforma mal calculada num salão. Era um prédio de 5 andares, localizado na rua do Rosário, no Rio de Janeiro. Um funcionário do hotel ouviu os estalos e saiu avisando outros funcionários e hóspedes, mas os hóspedes de um dos quartos não saíram. O porteiro interfonou, esmurrou a porta, mas não houve resposta. Todos do hotel foram embora e assistiram o hotel desabar. Dois dias depois, encontraram o casal no meio dos escombros, sobre uma cama. Nus, abraçados. Ele era professor e tinha setenta e poucos anos, ela, bancária, vinte anos mais nova. Eram amantes, de uma vida inteira. Toda semana iam nesse hotel para se amar e se amar e se amar...

Na época do desabamento, a artista plástica estava no Rio de Janeiro e fotografou as ruínas do hotel. Era possível ver paredes de azulejo semi demolidos. E aí veio a inspiração. O rapaz comentou, então, que esse mesmo acontecimento também inspirou a música Conversa de botas batidas, do Los Hermanos. Uma das minhas favoritas da banda.


Eu sempre penso nas letras da música e no que levou o compositor a escrevê-la, mas nunca lembro de ir atrás e procurar saber. Quando saí de perto do monumento, entrei no celular para relembrar a letra da música e o queixo foi caindo, enquanto eu sorria entre lágrimas.
Esse é só o começo do fim da nossa vida
Deixa chegar o sonho, prepara uma avenida
Que a gente vai passar

Segundo informações do rapaz, o casal escolheu não sair do hotel. Eles já se amavam escondido por tempo demais, e resolveram morrer juntos, se amando.
Deixa o moço bater
Que eu cansei da nossa fuga
Já não vejo motivos
Pra um amor de tantas rugas
Não ter o seu lugar 
Arrepiou todinha, sabe? Ver a imagem dos azulejos em meio as tripas, a história de amor, um amor proibido de uma vida inteira,a a escolha dos dois de não partir... Achei incrível. A música, que já tinha um lugar especial no meu coração, acabou ganhando um favoritismo ainda maior.
Diz, quem é maior que o amor?
Me abraça forte agora, que é chegada a nossa hora
Vem, vamos além
Vão dizer, que a vida é passageira
Sem notar que a nossa estrela vai cair

Num resumo sobre a visita às belezas de Inhotim: nada é o que parece. E há muito mais história por trás de quadros, concretos, linhas e pálpebras do que a gente imagina.



comentários pelo facebook:

9 comentários:

  1. Já te contei do quanto essa música mexe comigo, né? Post fez juz à importância dela pra mim. Amei.

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    1. De tudo que vi, esse foi o único que senti necessidade de compartilhar. É como se essa história precisasse pertencer ao mundo, sabe? Todo mundo devendo saber.

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  2. Minha amiga estava comentando comigo ontem sobre Inhotim. Ela disse que era um lugar que achava que eu iria amar... e eu respondi que não tinha muita vontade de conhecer. Incrível como UM post sobre UMA obra me fez pensar duas vezes. Fui envolvida pela história e agora estou morrendo de vontade de ir.
    Obrigada por isso!

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    1. Que delícia de saber isso, Lola ♥ te confesso que Inhotim me surpreendeu de certa forma. Espero que você vá ;) aí depois, me conta o que achou!

      Beijos

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  3. Achei incrível a história e me arrepiei todinha! A obra em si, é de embrulhar o estomago, mas a história que ela contém é de uma beleza incrível!

    Beijoo!
    www.paraisando.blogspot.com

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    1. Verdade, Layla. A obra é de arrepiar o estômago, mas depois que você conhece a história, você fica meio maravilhada com ela. Como se as entranhas fossem só amor.

      Crazy. hahaha


      Beeeijo

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  4. Que delícia! Adoro essa música e estava morrendo de saudades de ler tuas postagens e acompanhar teu blog. [Eu te amava por aqui no tempo do meu blog Caferesia, não sei se lembras haha] Feliz em reencontrar <3

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  5. Inhotim é muito amor! Fui lá no fim de Maio.

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  6. Eu nunca parei pra procurar sobre o que originou essa música também, e olha que eu amo muito Los Hermanos. Eu estou perplexa, que fortíssimo! A arte, que ela viva sempre ♥

    Beijos,
    http://www.maleando.com.br/

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