MEU ESPETÁCULO PARTICULAR

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7 de julho de 2016


Perdi as contas de quantas palavras te escrevi e você nem sabe, em quantas folhas rabisquei teu nome junto ao meu e por quantas noites mal dormidas fiquei velando teu sono. "Meio mórbido isso de olhar alguém dormir", você dirá. Mas entenda que é cuidado, é zelo, é preocupação. É, acima de tudo isso, alegria ao te fazer um carinho e ver tua boca ensaiar sorriso, enquanto teus braços me envolvem por baixo do cobertor, tão pesado quanto tua respiração. Contraste perfeito com minha felicidade de peso pena.

Perdi as contas de quantas vezes disse te amar enquanto você dormia, mesmo sabendo que não haveria devolutiva. Aprendi há um tempo que essa coisa de esperar sempre uma resposta não tá com nada. Te amei de graça, na faixa. Abri as portas do peito — mais bagunçado que guarda roupas de adolescente — e não tive vergonha alguma ao admitir minhas fraquezas e meus medos de criança. Te convidei pra entrar e me surpreendi quando, entre um café e outro, você me ajudou a arrumar.

Blusas pra um lado, calças pro outro, sapatos ali, casacos acolá e, quando menos percebi, estava tudo no lugar certo pra te caber em mim. Perdi as contas de quantas vezes sonhei acordada com tua chegada, e foi a tua permanência que me fez aquarela. Ao teu lado pinto, bordo, desenho e rabisco qualquer dia cinza. Faço céu estrelado em qualquer noite fria e espalho magenta entre auroras e pores de sol sem fim. O mundo se enche de cores quando se reflete nos teus olhos.

Repara, mal comecei a escrever e já estou falando das nossas cores de novo. É que não dá, amor. Não tem como falar de ti sem recordar nosso começo-arco-íris e todas as vezes em que vimos o sol colorir o céu. Fosse ao nascer, numa praça qualquer, ou ao se despedir, entre livros, cervejas e frapuccinos de caramelo, na janela de um apartamento qualquer. Recordar é viver, já dizia o ditado, e eu te vivo a cada milésimo de segundo. Te repito. Rebobino. Pauso e te admiro.

Perdi as contas de quantas vezes sorri ao observar tuas manias de todas as manhãs, teus costumes de toda noite e tuas manhas de todos os dias. Fotografei mentalmente cada passo teu. Me julgue clichê, romântica incurável, old school lover, mas comemoro cada abrir de porta no fim de tarde, quando teu corpo exausto da rotina descansa no meu colo e pede carinho em silêncio. Celebro cada bom dia e me encanto ao te ver escolhendo a camisa que vai vestir, como quem observa um show da banda favorita, do camarote.

Você é a minha música predileta e te cantarei todos os dias como quem — inocentemente — teme esquecer a letra. Fingindo não saber que esquecer de ti seria esquecer, também, de mim.

GISELLE F. 1991. É pernambucana por nascimento e paulista por consequência da vida. Coleciona sorrisos, clichês e corações involuntários. Fala alto, bebe, fuma e troca qualquer balada pelo sofá de casa com os amigos. Quando sente demais transborda em palavras.
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3 comentários:

  1. Que coisa mais linda, li como se tivesse vendo tudo. Melhor, vivendo.

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    1. Muito obrigada, Carla. :) Fico feliz que tenha conseguido fazer você imaginar.

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