Ainda te amo, mas já te superei

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28 de outubro de 2016


— Ainda te amo, mas já te superei!
Sentiu algo estranho ao ouvir isso? Deu um estalo em sua cabeça e abriu a visão para enxergar que o "tarde demais" está se aproximando? Doeu em alguma parte do seu corpo? Talvez, não né?!

Não nego que, de ti, ainda restou o sentimento mais lindo. O amor fez morada, tornou-se um inquilino complicado que ora bate, ora apanha. Mas que fez de meu peito sua principal propriedade, sendo espaçoso e a cada dia aumentando seus hectares. Entretanto, meu amor, eu já te superei! Você não tem mais de mim a prioridade nos pensamentos nem nas decisões. Você não tem mais de mim a preocupação exagerada, o bom dia carinhoso e o boa noite com gosto de saudade. Você perdeu quem sempre gostou de cuidar de ti, de te mimar e acariciar.

Não derramo mais minhas lágrimas em troca da saudade que tu me deixaste. Tuas fotos não estão na lixeira do meu computador, tampouco saíram da galeria do meu celular, porém elas não fazem mais parte do meu campo de visão. Não que eu não as veja! Às vezes, por descuido, me distraio e olho o sorriso no olhar que sempre amei, contudo eu não as procuro mais. Não sinto vontade de apagar quem um dia me fez bem e me trouxe paz, mas não sinto necessidade de vê-las como antes.

Te superei quando me vi sentada numa mesa de barzinho, rindo com os amigos e tomando uma gelada sem me preocupar se você acharia ruim ou não. Te superei quando não corri atrás de ti antes de ter ver atravessar a avenida. Te superei quando percebi que eu posso ter valor e que a mesma falta que você me faz, eu também posso fazer. Te superei quando tomei decisões importantes ou quando recebi notícias boas e não te procurei para contar cada detalhe. Mas, confesso, que isso foi a primeira coisa que quis fazer. Cheguei a discar teu número e voltei atrás. Te superei quando abri a tua janela do whatsapp, elogiei tua foto, te desejei bom dia, te mostrei meu último texto, mas nunca apertei o botão de enviar. Te superei quando comecei a ocupar minha mente, minhas horas, meus dias com outras conversas, outras gargalhadas e novas saídas.

Não vou mais ao cinema, não converso mais sobre filmes e livros, não mostro mais novas descobertas musicais. Não uso mais o mesmo perfume, não por não gostar, mas por não querer outra pessoa lembrando-se de mim na rua ao sentir essência forte e marcante. Não falo mais dos meus sonhos nem de planos futuros. Não vejo nem imagino mais os meus dias futuros ou você e eu dividindo uma vida sentada na varanda de uma casinha branca e no campo. E te confesso que disso eu sinto falta. É a parte dolorida de te ter longe.

Ainda te amo, ainda te desejo, te quero e quem sabe, ainda tenho esperança. Mas te superei quando acatei sua decisão de não mais me ver, não mais falar comigo, não mais me procurar. Se é isso que tu queres, então para quê te chatear, te incomodar com minha presença? Se um dia sentires saudades e quiseres me procurar, a porta estará fechada, mas é só bater que eu faço questão de abrir para você. Mas esteja preparada para ver os móveis trocados de lugar, as prioridades mudadas e uma ausência já de casa. Se quiseres entrar abrirei o caminho, perfumarei o ambiente, acenderei as luzes e te convidarei para uma conversa e um café, de preferência bem quentes.

Mas, por enquanto, te escrevo textos, mensagens e cartas que nunca te enviarei. Por enquanto sairei, sorrirei e conversarei com os velhos e novos amigos que cruzarem meu caminho — que de algum modo esperarei que seja um pouco tortuoso, para que possa me dar sentido, direções e equilíbrio. Por enquanto continuarei aqui na minha, quietinha, sem expectativas de aguardar uma ligação, uma mensagem ou um sinal de fumaça. Afinal, não ter expectativas é não ter decepções.

Até porque eu ainda te amo, mas, hoje, eu te superei!

KALY BANDEIRA, virginiana desde 1988. Amante do frio, da música, do céu estrelado e uma lua bem cheia. Misteriosa, detalhista e um pouco tímida. Porém, quando me solto não paro de falar. Quieta e solta, temperada, assim diria. Considera uma bruta, mas escondo no mais íntimo de mim, uma sensibilidade que poucos conseguem ver. Uma mulher-menina moleca que não esqueceu o melhor da infância. Às vezes não sei bem quem sou, mas tento amadurecer a cada dia.


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