E o que vai ficar na fotografia?

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19 de janeiro de 2017

ouça enquanto lê: Arleno Farias - Foto

Tem dias que a realidade vem esmagadora e eu me vejo impotente. Às vezes não sei nem quem eu sou e chego a duvidar que se saiba de fato quem a gente é. Me sinto completamente frágil fora da bolha quentinha que rascunhei para nós, mas quando a dona realidade chega bem pertinho, vejo que frágil mesmo era a tal bolha. Pluft! De sabão!

Maltrata. Eu fico amuada num canto, olhando para o nada e sentindo tudo.

Logo eu, que sempre fui tão desenvolta e apegada à tecnologia dos smartphones e suas câmeras super potentes, me pego tateando uma foto — foto mesmo — nossa, que ficava no aparador. Lembro daquele dia como se fosse ontem, da sua camisa polo suja de katchup e do meu rosto lambuzado pelo churros de chocolate. Aquele senhorzinho que estava passando merecia o Politzer de Fotografia, só por eternizar esse teu sorriso espontâneo que eu me apaixono todos os dias...

Repasso uma história bonita na cabeça, com lembranças do que já foi e uma porção de memórias bonitas do que ainda há de vir. Sempre fui uma sonhadora, então não é difícil imaginar todas as possibilidades viáveis que ainda temos para viver. Esses meus sonhos, de olhos bem abertos, costumam ser uma das horas mais lindas do dia.

Mas, alguns dias, a realidade atropela os sonhos e eu me vejo nua, distante e frágil. Um mar de interrogações, anseios e medos, misturados naquela saudade já tão familiar. Quando enxergo o caos, quando sinto a bagunça, quando vejo meu coração prestes a se quebrar e o teu prestes a ruir, eu imagino o tudo de possibilidades que você ainda tem para viver, todas as pessoas que você ainda pode conhecer e me sinto abusada por querer te roubar só para mim. É injusto, sabe?

Eu queria nos colocar numa redoma, mas o que eu sinto é muito nobre pra deixar preso assim. A ideia de que outra pessoa seja o motivo daquele sorriso tão cativante gela a minha espinha na hora, mas como falei, a realidade às vezes pode ser bem cruel...

Talvez essa seja a minha última mensagem. Talvez esse seja o meu adeus. No meio de tanto talvez, uma lágrima certeira molhou a nossa foto. Os dias têm sido pesados sem você aqui, mas se for melhor assim, eu tenho que te deixar seguir.

(...)

O toque do celular quebra o silêncio e os nossos pensamentos seguem conectados por horas a fio... Vamos nos encontrar no mesmo lugar — o nosso — e eu já estou torcendo pra que aquele senhorzinho apareça e ganhe mais um prêmio por outra fotografia maravilhosa.

Que nos perdoe a dona realidade, mas essa noite é de matar a saudade!

Plural delícia com paulista Diego Henrique 

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