Eu não sinto a tua falta

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12 de janeiro de 2017


Não sei onde estava com a cabeça quando resolvi te mandar aquela mensagem. Porra, as coisas tinham sossegado do lado de cá, eu estava bem e feliz do jeito que dá. Aprendi a viver sem o som do teu riso, saca? Depois de meses, finalmente parei de pensar em você antes de dormir e não mais te imaginava deitada daquele lado da cama que era teu.

Acontece que, mesmo depois de meses, seu cheiro continuou impregnado no apartamento. Digno de preencher o vazio que me ocupava tanto espaço, cada vez que eu me pegava tentando decifrar quando, como e o porquê de tudo ter dado errado. E porque não fizemos nada pra dar certo. Era uma relação bonita demais pra acabar, como acabou.

Na moral? Não sei porque colocamos um ponto final na nossa história. A gente estava bem de boa, vivendo tranquilamente na nossa rotina perfeita. Não tinha nada fora do lugar. A gente dividia a pizza, o vinho e o banho. Assistíamos o seu seriado favorito e algum filme metido a cult, que eu gostava. Eu te aninhava nos meus braços, a gente fazia um sexo gostoso e pronto. Virava cada um para seu lado favorito da cama e a gente dormia o sono dos justos, repetindo a rotina dia após dia. Então não entendo esse ponto final, desconexo, no meio da frase, no meio da taça de vinho, no meio da nossa vida.

Mesmo buscando mil explicações pra justificar finais interrompidos no meio da trajetória, não há frase feita que explique, que me acalme ou que me conforte. Por isso, te transformo em palavras, neste texto. Te vomito no papel, pra expulsar o que restou de você em mim. Te vomito da minha casa, pra tirar o cheiro do teu perfume importado. Te vomito de mim, pra limpar a minha alma da tua essência.

Eu não sinto a tua falta. Eu sinto falta do que éramos. Talvez esse seja o problema. A saudade do som da tua gargalhada, das loucuras embriagados, dos surtos de ciúmes ligeiramente substituídos por sexo, da tua mania exagerada em contar histórias, do teu jeito meio foda-se ao que não lhe convém.

“Eu sinto falta da gente, porra!”. Não sei onde estava com a cabeça quando resolvi te mandar essa mensagem...

Pluralíssimo com a maravilhosa Ana da Mata

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2 comentários:

  1. Gostei muito da honestidade do texto. Não sei como é esse sentimento, porém gostei muito dessa descrição de não sentir falta da pessoa e sim do que vocês eram; do que tinham um com o outro.
    Realmente, a maneira como foi escrita e a situação em si... amei.

    Beijos,
    Bi.

    - http://www.naogostodeunicornios.com

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  2. Lindo seu texto. Eu sou meio assim. Tem um ex em especial que não sinto falta dele, sinto falta do que éramos juntos. Estranho sentimento esse.

    Vidas em Preto e Branco

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