Doeu para aprender a ser feliz sozinha

|

21 de fevereiro de 2017


Chorou por dentro por muitas noites. Culminou em uma dor que só ela sentia e que não adiantaria explicar a mais ninguém. Preferiu o disfarce até aprender, em um desses momentos confusos de mulheres fortes, que tudo aquilo lhe fortalecia.

Quando ele a deixou, ela revisou atenciosamente todas as fotografias do início e do meio, tentando encontrar onde exatamente foi o momento em que as coisas saíram do lugar para chegar ao final. Chorava ao encarar registros das fotos transformadas em filmes pela sua memória. Como no show em que ele a carregou nos ombros no meio da multidão. Nas flores que chegavam de repente no meio da semana. Dos beijos apaixonados no meio da rua. Das mensagens de texto ousadas durante a madrugada em que estavam distantes. Da tentativa  — frustrada —  de cozinhar algo pra ele, onde acabavam ligando para pedir uma pizza e riam até o dia amanhecer entre um episódio e outro de “How I met your mother”.

Seu coração acelerou a lembrar da viagem de dias que passou como se fossem apenas vinte e quatro horas. Sempre dizem pra ela que tudo que é muito bom, faz o tempo passar muito rápido. Lembrou como tinha passado. Guardou as lembranças na caixa enquanto chorava. Durante meses, ouviu músicas de desapego. Virou adepta ao modão sertanejo e bebia em baladas que produziam o efeito temporário da volta por cima.

Trocou “How I met your mother” por “Two and a Half Men” e dizia às amigas que seria, em breve, a versão feminina de Charlie Harper  —  não sabia ainda que o final do Ted Mosby foi o mais feliz. Chorou por dentro por muitas noites. Culminou em uma dor que só ela sentia e que não adiantaria explicar a ninguém. Preferiu o disfarce até aprender, em um desses momentos confusos de mulheres fortes, que tudo aquilo lhe fortalecia. Ainda mais.

E não adiantaria fugir de amores com medo das suas dores. Que o amor, quando tem que ser, sempre daria um jeito de encontrá-la. Então, frente ao espelho, suspirando por alguém que tinha acabado de conhecer, sorriu. Deitou sozinha numa noite badalada de sábado, colocou o celular no modo avião e continuou assistindo “How I met your mother” de onde tinha parado há meses.

Fez pipoca com leite condensado. Mais tarde, preparou um sanduíche. Fez um suco bem doce. Deu boas risadas. Lembrou, por alguns segundos, dos momentos felizes que viveu ao lado de alguém. Descobriu, naquela noite, a sua melhor, essencial e única companhia.

A dela mesma.


EDGARD ABBEHUSEN.
Baiano cá do Recôncavo. Vizinho de Edson Gomes, Sine Calmon, fã de Dona Canô e dos filhos que ela deixou no mundo. Aspirante a jornalista e sonhador de um mundo melhor. Tenho axé correndo no sangue. Amor no coração. E entre acarajé e Sushi, eu fico com os dois.
MEDIUMFANPAGE | INSTAGRAM

comentários pelo facebook:

2 comentários:

  1. Esse texto parece uma sequência do texto de baixo. Um complemento. E é exatamente isso que precisamos buscar, dia após dia, sermos nossa melhor companhia. Afinal, nós passamos mais tempo só do que do lado de alguém, se não gostarmos de nos ter como companhia, nossa vida fica um tédio. E oh, eu odeio o tédio hahaha

    Beijo grande
    Má.

    http://www.mayaquaresma.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, Maya. Não tinha pensado que esse texto era praticamente um complemento do anterior. Amei esse texto ainda mais hahaha ♥

      Excluir

infelizmente a plataforma do blogger é meio ruinzinha para comentários, então, se quiser ver minha resposta ao comentário, terá que voltar por aqui. Ou comente pelo Facebook, ali em cima, aí aparecerá a notificação da resposta para você ;) Ah! e se tiver um blog, não tenha medo de deixar link, ok? Procuro visitar todos ♥