Eles morrem de medo da força que ela carrega

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8 de março de 2017


Forte o suficiente pra sobreviver sozinha, em qualquer lugar, sob qualquer circunstância, ela se movimenta o tempo inteiro, produzindo uma ventania ao lutar pelo que quer.

Aos amores, ela brinda. Soprando que todos merecem um lugar na beira do mar de lembranças boas. Revelando o passado como a experiência, ainda que caótica, de crescimento pessoal. Por isso, os ciumentos e 'noiados' não passarão. Nem se arriscarão na tormenta de vê-la sorrir pra um amor antigo na estrada.

Ela vai avançar e recuar. Avançar, na medida que o palavrão seja necessário. Seus gritos jamais serão contidos. Suas gargalhadas jamais comedidas. Pois ela é intensidade em ondas de ressaca, onde banhar-se é privilégio de poucos loucos que ousam surfar na certeza de seus sentimentos. E vai recuar, levando tudo com ela e só pra ela, em um fenômeno natural e complexo de auto amor, sem auto piedade.

Suas correntes são leves, firmes e soltas. Ancoradas em mares serenos, sem muita calmaria. Porque ela, sem medo de enfrentar a pior das tempestades, vai convocar todo mundo pra dançar na chuva enquanto a vida segue.

Sua fé inabalável desorienta aos que acreditam serem os únicos capazes de segurar a sua mão com firmeza. E eles sabem que, caso façam do seu coração uma massa de ar polar, ela vai seguir em frente desbravando os verões de lugares desconhecidos. E nem pensará duas vezes em navegar sozinha. No fundo, ainda que consternada, ela tem absoluta convicção de sua sobrevivência.

Ela vai quebrar na superfície algumas vezes, é natural. E, quando isso acontecer, a imensidão que ela carrega dentro de si a salvará da maré baixa. Coragem deverá ter de sobra os que ousarem se aproximar dela. Não será qualquer canto, qualquer perfume, qualquer rosto refletido nas águas límpidas dos choros que a formaram ao longo da vida, que irá convencê-la a pular em mergulhos rasos e até mesmo profundos.

Covardes a observam de longe. Tentam entendê-la. Ensaiam molhar os pés na maré mas, ao sentirem a força da sua propagação quando ela dança, fogem como ratos. Ela provoca medo, mesmo. Arrepios. A fraqueza do ego masculino não se acostumará jamais com a força da sua autenticidade. Com luz própria que ilumina o caminho por onde passa, ela é um convite aberto a quem quiser acompanhá-la e um aviso de perigo a quem gosta de viver dias milimetricamente planejados.

E um aviso aos navegantes: ela tem se multiplicado. Tem avançando para além do litoral. E exigirá, sem sombra de dúvidas, que se curvem diante dela quando ela passar.

Tudo isso para mostrar que ela pertence a si mesma. Ainda que sonhe viver um conto de fadas, ela decide se quer ser a princesa ou a bruxa. Ou, quem sabe, quem escreve a história. Afinal, é tudo sobre ela.


EDGARD ABBEHUSEN.
Baiano cá do Recôncavo. Vizinho de Edson Gomes, Sine Calmon, fã de Dona Canô e dos filhos que ela deixou no mundo. Aspirante a jornalista e sonhador de um mundo melhor. Tenho axé correndo no sangue. Amor no coração. E entre acarajé e Sushi, eu fico com os dois.
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5 comentários:

  1. Que texto incríveeeel!
    Parabéns, Ed ♥
    E parabéns, Mafê pela equipe e trabalho maravilhosos! Feliz Dia Internacional da Mulher ♥

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  2. Feliz de encontrar várias mulheres que conheço (e até eu mesma) no texto. Muito, muito feliz! <3

    melninas.blogspot.com.br

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  3. Uau! Que texto M A R A V I L H O S O!
    Blog muito lindo, parabéns!
    http://grandemetamorphose.blogspot.com.br/

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infelizmente a plataforma do blogger é meio ruinzinha para comentários, então, se quiser ver minha resposta ao comentário, terá que voltar por aqui. Ou comente pelo Facebook, ali em cima, aí aparecerá a notificação da resposta para você ;) Ah! e se tiver um blog, não tenha medo de deixar link, ok? Procuro visitar todos ♥