malditas interrogações

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23 de abril de 2017


Eu queria poder culpar os astros, mas não consigo acreditar que o signo – maldita geminiana! – seja culpado por todas essas interrogações constantes que pulsam, diariamente, na minha cabeça. Minha mente fervilha. São incontáveis porquês, o tempo todo. Ninguém precisa colocar a pulga atrás da orelha, porque ela já está ali – praticamente um bichinho de estimação.

Observo tudo, todo tempo. Percebo as pessoas, a forma como mudam o sorriso, a forma como escolhem uma música, a forma como escrevem um poema. Eu olho para o preto no branco e fico caçando as entrelinhas. Fico buscando entender porque aquela poesia, porque aquela música naquele momento, porque do sorriso. O nó se forma na cabeça e vai crescendo. E eu vou alimentando, porque é o que sei fazer de melhor. Eu sou ótima em criar interrogações.

Dessa forma, gosto de gente transparente. De gente que não se esconde, que fala abertamente, sem cochichar pelos cantos. Gosto de gente que realmente demonstra aquilo que diz, sem deixar margem para interpretações erradas – porque eu sou cheia (cheinha mesmo!) delas.

Gosto de gente que cala tudo que grita com um abraço. Gente que olha nos olhos e entende o turbilhão que passa neles. Sinto apego nessas pessoas que falam com atitudes e fazem coreografia com aquilo que dizem. Um ‘dois-pra-lá-dois-pra-cá’ entre a boca e o corpo, sabe? Elas sentem o que dizem e demonstram isso. Pago pau, mesmo! Puxo para perto. Admiro. Guardo no cantinho bonito do coração.

Eu preciso dessas pessoas para conseguir respirar melhor. Não gosto das interrogações ferradas que alimento todos dias – sem querer. Não gosto dessas perguntas sem respostas e odeio esse caça palavras, de buscar entender o que está perdido nas entrelinhas, no suspiro, no tom de voz. Queria não complicar o simples.

E nessas interrogações intermináveis, eu vou vivendo a vida. Questionando o que deveria ou poderia ser (quem sabe?) Vou me apegando aos detalhes ínfimos, às pessoas intensas e aos sentimentos mais sincero que a humanidade poderia, um dia, experimentar. Vou vivendo, não como poderia ser, mas como estava planejado para acontecer.




MAFÊ PROBST
Engenheira, blogueira, escritora e romântica incorrigível. É geminiana, exagerada e curiosa. Sonha abraçar o mundo e se espalhar por aí. Nascida e crescida no litoral catarinense, não nega a paixão pela praia, pelo sol (e pelo frio) e frutos do mar.

FANPAGE | @MAFEPROBST | @INSTADAMAFE

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3 comentários:

  1. Essa coisa de criar interrogações faz parte de nós né?
    Uma delicadeza infinita nas tuas palavras. Sou sua fã!
    Um beijo grande <3

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  2. Acredito que só sente a necessidade de pessoas profundas e verdadeiras quem também o é. Porque a gente sente falta de estar com gente parecida, com sentimentos mútuos e verdadeiros. A gente interroga, questiona, porque o mundo nem sempre parece se ajustar à nossa própria realidade. E seria tão lindo se fosse assim, né? ♥

    Enfim, ótimo texto como sempre Mafê! ♥

    Com carinho,
    Conto Paulistano.

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  3. Eu sempre me dei muito bem com gêmeos, minha mais amiga da vida é geminiana. Uma das minhas irmãs também. Talvez eu seja uma pessoa fácil de lidar, ou talvez elas sejam abertas para quem sou. Os talvez sejamos todas respostas para nossas interrogações de sempre, independentemente de astrologias e afins.

    Tudo o que te faz melhor, que te ajude a se conhecer mais, que te permita trazer para dentro e para perto de si só coisas boas, é lucro. Eu gostei muito se sentir o que senti ao terminar de ler. Te sinto mais leve. Daí então fico mais leve também.

    Um beijo, Fê.

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